General diz que Iraque levará anos para formar tropas

Para militar, país precisa de pelo menos cinco anos para controlar seu espaço aéreo

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 11h59

As Forças de Segurança iraquianas, tanto o Exército quanto a Polícia, demorarão "anos" para poder agir sem a ajuda dos Estados Unidos, na opinião do tenente-general Martin Dempsey, especializado no assunto, informa nesta quarta-feira, 13, o jornal The Washington Post. Em declarações a uma subcomissão da Câmara dos Representantes, Dempsey citou na terça-feira carências de quantidade e de qualidade nas Forças de Segurança iraquianas. Além disso, afirmou, elas são afetadas pela corrupção e pelo sectarismo. O general avaliou que as forças iraquianas precisarão de pelo menos cinco anos para poder controlar seu próprio espaço aéreo. Dempsey, que até pouco tempo atrás era o encarregado da formação das forças iraquianas, afirmou que tanto o Exército quanto a Polícia recrutam soldados ou agentes "fantasmas". Eles só existem na folha salarial. Nas cidades sagradas xiitas de Karbala e Najaf, disse Dempsey, "de 60 mil a 75 mil policiais foram recrutados sem autorização" nem formação por parte dos EUA. Do total, 10% a 20% seriam "fantasmas, nomes postos somente para pagar seus salários". Da mesma forma, no Exército, alguns comandantes dizem contar com mais soldados sob seu comando do que têm na realidade, "para receber uma repartição das verbas maior e embolsar o excedente". Além disso, soldados gravemente feridos e que estão portanto de baixa na realidade são mantidos em seus postos de forma fictícia para continuar recebendo seus salários, já que não há indenizações nem previdência. Dempsey reconheceu a possibilidade de que iraquianos que foram formados pelos assessores americanos como policiais ou soldados terem passado, depois de preparados como combatentes, para a insurgência. O militar acrescentou, no entanto, que foram tomadas medidas para comprovar quantos soldados iraquianos formados pelos americanos serão detidos pelas forças dos EUA "no futuro". Dempsey se queixou de que na Polícia iraquiana muitos comandantes devem seus cargos a lealdades políticas e sectárias, já que "o governo acredita que precisa de quadros que sejam fiéis, antes de tudo".

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