General diz que reforço deu certo e propõe corte

Comandante dos EUA no Iraque sugere retirada de 30 mil soldados em 2008

NYT, WP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2011 | 00h00

Washington - Num depoimento considerado o mais importante do ano e crucial para o futuro do papel americano na guerra no Iraque, o general David Petraeus, comandante das tropas dos EUA no país árabe, defendeu ontem no Congresso a política que aumentou o número de soldados no conflito iraquiano. O relato de Petraeus foi o mais aguardado depoimento de um militar no Congresso desde a Guerra do Vietnã. Com sua base política em ruínas, o presidente dos EUA, George W. Bush, depositou no general suas últimas fichas para continuar as operações no Iraque sem pressão dos congressistas. Para Bush, o sucesso de Petraeus - mesmo que contestado - é o sucesso da guerra.Em alguns momentos, a audiência realmente lembrou os anos de impaciência do conflito no Vietnã. Com gritos de "Tragam as tropas de volta para casa!", manifestantes interromperam várias vezes a sessão. O presidente da Comissão das Forças Armadas, o democrata Ike Skelton, ordenou em três ocasiões que os segurança retirassem mulheres vestidas de vermelho que gritavam slogans contra a guerra. Na tentativa de amenizar a pressão da opinião pública, da oposição democrata e de boa parte do Partido Republicano, que querem a retirada das tropas do Iraque, Petraeus afirmou que o reforço militar ajudou os EUA a cumprirem "em grande parte" seus objetivos militares no país. Para o general, o número de soldados poderá ser reduzido em 30 mil homens a partir do segundo semestre de 2008, deixando 138 mil soldados em solo iraquiano.VIOLÊNCIA EM QUEDAPetraeus afirmou que o número de ataques rebeldes diminuiu consideravelmente nas últimas duas semanas, atingindo os mesmos níveis de junho de 2006. De acordo com o general, a violência foi menor em 8 das últimas 12 semanas. Além disso, o Exército iraquiano já estaria controlando várias áreas importantes do país.Sobre a Al-Qaeda, o general reconheceu que o poderio militar americano foi incapaz de derrotar a organização terrorista, mas afirmou que os EUA conseguiram "afetar seriamente seu poder de fogo"."Acredito que conseguiremos reduzir o número de soldados ao nível anterior ao aumento das tropas até o próximo verão (a partir de junho de 2008) sem prejudicar os ganhos na segurança", afirmou o general durante uma sessão conjunta, para deputados e senadores, sempre acompanhado de Ryan Crocker, embaixador dos EUA em Bagdá.O discurso de Crocker foi afinado com o de Petraeus. O embaixador disse aos congressistas que a retirada das tropas americanas do Iraque faria do Irã o grande vencedor da guerra, ao dar aos iranianos parte do território iraquiano e acesso a seus recursos naturais."Reduzir nossos esforços levaria ao fracasso e é preciso que as conseqüências desse fracasso fiquem claras." Para Crocker, a sociedade iraquiana "está traumatizada" e continuará assim por muito tempo. "O Iraque está passando por uma revolução, não é apenas uma mudança de regime", disse Crocker. O embaixador afirmou que a influência negativa da Síria e do Irã será compensada em breve pelo anúncio da Arábia Saudita de abrir uma embaixada em Bagdá, o que não acontecia desde a ascensão de Saddam Hussein. Petraeus também se queixou da intromissão iraniana no Iraque. Ele acusou a Guarda Revolucionária de empreender uma guerra indireta contra o Estado iraquiano e o Exército americano. A dupla Petraeus e Crocker volta a depor hoje em duas sessões diferentes, uma na Comissão de Relações Exteriores do Senado, outra na Comissão das Forças Armadas. Os depoimentos foram uma exigência do Congresso, que condicionou a liberação de US$ 122 bilhões para as operações de guerra à apresentação de um relatório sobre a situação no Iraque, que deve ser entregue no sábado.

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