General diz que tem controle do Haiti, ativistas pedem retirada

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) considera ter o controle de 100% do país, incluindo capital e interior, mas admite que ainda falta conter o fluxo de armamento dos grupos de guerrilha e levar benefícios sociais à população carente.O comandante geral da Minustah, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que lidera 6.900 soldados da ONU de diversos países desde o começo de janeiro, afirmou nesta quarta-feira que o momento é de melhoria na segurança, abrindo espaço para o governo haitiano e organizações não-governamentais desenvolverem seus projetos."Agora há condições de acesso ... condições de aproveitar esse bom momento na parte de segurança para fazer os projetos se desenvolverem, para que a vida seja normalizada", disse Santos Cruz por telefone.Apesar da avaliação do general, dois ativistas haitianos vieram ao Brasil nesta semana divulgar um dossiê em que, entre outras reivindicações, pedem a retirada das tropas e afirmam que elas violam direitos humanos. "Não há paz, nem justiça, e nem perspectiva disso", disse a antropóloga e professora da Universidade do Haiti Rachel Beauvoir Dominique, em debate com estudantes e movimentos sociais nesta manhã, em Brasília.Os soldados de paz da ONU foram enviados ao Haiti pouco depois da derrubada do presidente Jean-Bertrand Aristide, há três anos. O país, o mais pobre das Américas, com 8,4 milhões de habitantes, sofre com o confronto de gangues armadas, falta de delegacias, postos de saúde e serviços de limpeza e água em muitas regiões da capital Porto Príncipe.Além de negar tais violações, o general também contestou informações de parlamentares haitianos divulgadas na semana passada de que guerrilheiros estariam fugindo das favelas ocupadas pelas tropas e rumando para o interior do país ou até mesmo para a vizinha República Dominicana."Isto ainda é um rumor, boato", disse o general. "Cidades pequenas normalmente não toleram esse tipo de criminoso. Depois, em áreas mais rurais, para se comandar um grupo de pessoas, é preciso uma estrutura logística." Tráfico de armasMesmo sob críticas de violações de direitos humanos, o general afirmou que "percebe uma atitude amigável e de satisfação por parte da população", apesar do clima de insegurança nas comunidades que vivem entre os capacetes azuis da ONU e as gangues armadas.Santos Cruz afirmou que as tarefas mais importantes da Minustah no momento são a coordenação militar e policial da ONU com a polícia local para a captura de guerrilheiros e a apreensão de armamento e munição que chegam ao país pelo contrabando internacional."Aqui, como é uma ilha, você tem uma extensa linha costeira bastante acessível. Ainda existe muita deficiência no controle de toda a navegação na volta da costa. A guarda costeira tem que ser reforçada", disse.O general reconhece que os desafios à frente dificilmente serão resolvidos no prazo oficial da missão, que expira em outubro. Como vem acontecendo desde o início da operação, o prazo deve ser renovado.Segundo ele, há programas de longo prazo que precisam ser estabelecidos no país, como a reforma no setor judiciário e o fortalecimento da polícia haitiana, que inclui formação e capacitação.

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