Victor J. Blue/The New York Times
Victor J. Blue/The New York Times

Forças afegãs pediram apoio aéreo em Kunduz, diz general americano

John Campbell, comandante das Forças Internacionais no Afeganistão, diz que 'se foram cometidos, erros serão reconhecidos'; resultado de investigação será divulgado em breve

O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 11h45

WASHINGTON - As Forças afegãs pediram apoio aéreo dos Estados Unidos enquanto enfrentavam militantes do Taleban em Kunduz pouco antes do bombardeio, disse nesta segunda-feira, 5, o general John Campbell, comandante das Forças Internacionais no Afeganistão. 

O comentário de Campbell, no entanto, não chega a ser um reconhecimento da responsabilidade dos EUA pelo ataque aéreo que atingiu um hospital administrado pela organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF), deixando 22 pessoas mortas - 10 pacientes e 12 funcionários - e outras 37 feridas.

"Agora sabemos que em 3 de outubro as forças afegãs informaram que estavam sendo atingidos por artilharia de posições inimigas e pediram por apoio aéreo das forças americanas", disse Campbell em um encontro com jornalistas no Pentágono. "Então, um bombardeio foi ordenado para eliminar a ameaça do Taleban e vários civis foram acidentalmente atingidos."

Campbell disse também que tropas americanas não estavam sob fogo do Taleban, mudando a versão inicial de que o ataque teria sido uma medida para proteger os soldados dos EUA. O general também criticou os extremistas afegãos por combaterem em áreas urbanas e colocarem civis em risco.

"Se erros foram cometidos, nós vamos reconhecê-los", afirmou o general. "Vamos responsabilizar os que forem responsáveis (pela ação) e tomaremos medidas para garantir que os erros não se repitam."

Campbell também anunciou que o general de brigada do Exército americano Richard Kim será o principal investigador do incidente em Kunduz. O comandante das tropas dos EUA no Afeganistão garantiu que a investigação será conduzida de forma transparente e que a Otan e militares afegãos conduzirão suas próprias análises.

Na sábado, horas depois do ataque, a MSF exigiu uma investigação internacional sobre o bombardeio, ao qual se referiu como um "crime de guerra", qualificação endossada pelo alto-comissário de Direitos Humanos da ONU, Zeid Ra'ad al-Hussein.

"Se houver outra investigação sobre o caso que precise de apoio, faremos de tudo para coordená-la também", prometeu Campbell. O general se recusou a responder, no entanto, se os EUA interromperam temporariamente seus ataques aéreos no Afeganistão enquanto a investigação não é concluída. Ele disse apenas que o "treinamento, o aconselhamento e o apoio" dos EUA aos afegãos não foram suspensos.

Um resultado preliminar da investigação sobre o caso é esperado já para os próximos dias. / REUTERS e AP

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