General é indiciado por enriquecimento ilícito na Argentina

O procurador federal Jorge Di Lello indiciou ontem o chefe do Exército argentino, o general de brigada César Milani, no processo que investiga o militar pelas denúncias sobre um suposto enriquecimento ilícito.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2013 | 02h11

As investigações foram iniciadas após denúncias do programa Jornalismo Para Todos, do Canal Trece. Embora Milani tenha um salário de 15 mil pesos (US$ 2,7 mil), ele comprou um luxuoso casarão no elitista município de San Isidro, na zona norte de Buenos Aires.

O general também possui carros de luxo, além de diversas propriedades. Segundo líderes de partidos da oposição de centro e de esquerda, o patrimônio de Milani "é incompatível" com seu salário como membro das Forças Armadas, que nas últimas duas décadas sempre foram modestos.

Milani acumulou diversos problemas nas últimas semanas. Nomeado chefe do Exército no início do mês, ele também está sendo acusado de ter participado da repressão exercida pelos militares durante a ditadura, nos anos 70.

Ele é suspeito do desaparecimento de um soldado que era militante de esquerda na Província de Tucumán e de torturas ao pai de um prisioneiro político em La Rioja. Milani também teria mantido vínculos com os militares carapintadas, da direita nacionalista, que protagonizaram levantes nos quartéis nos anos 80.

No entanto, a presidente Cristina Kirchner, que defende seu militar favorito, especialista em tarefas de inteligência, confirmou sua permanência no cargo. Em rede nacional, ela criticou os que pretendem colocar militares e civis em lados opostos. O governo garante que Milani nunca participou de sequestros, torturas, assassinatos ou de detenções ilegais de civis durante a ditadura.

Menem. O tradicional jornal El Independiente, da Província de La Rioja, publicou ontem que Milani, subtenente no início da ditadura, participou da prisão do então governador Carlos Menem, detido na noite do golpe militar de 24 de março de 1976.

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