General francês é levado à força para depor sobre escândalo

O general Philippe Rondot, considerado uma importante testemunha na investigação sobre o escândalo Clearstream, foi levado nesta segunda-feira à força aos dois juízes responsáveis pelo caso, que causou uma crise política na França.Um grupo de policiais foi à casa de Rondot em Meudon, nos arredores de Paris, pouco antes das 8h (3h em Brasília), para levá-lo à força para depor aos dois juízes na unidade financeira do Palácio de Justiça de Paris.Ex-assessor do ministro da Defesa para assuntos dos serviços secretos, Rondot, de 69 anos, se negou a comparecer na quinta-feira à convocação dos juízes instrutores Jean-Marie d´Huy e Henri Pons.Os magistrados pediram e obtiveram da Promotoria a ajuda da polícia para forçar o general a comparecer à sessão desta segunda.Os dois juízes impediram o advogado do general de estar presente no interrogatório, já que Rondot depõe como testemunha.Rondot, que foi interrogado como testemunha pelos juízes em março, anunciou há uma semana que, se estes o obrigassem a depor de novo, não responderia às suas perguntas.O general explicou que foi maltratado pelos juízes e denunciou o vazamento de suas declarações à imprensa, uma violação do caráter secreto do caso.O general é visto como uma testemunha chave na parte "política" do escândalo, que atingiu o enfraquecido primeiro-ministro, Dominique de Villepin, e o presidente Jacques Chirac.Em março, Rondot disse aos juízes que em 2004 Villepin, então ministro de Exteriores, tinha pedido a ele, instruído por Chirac, que investigasse listas enviadas à Justiça de supostos titulares de contas na sociedade luxemburguesa de pagamentos e compensação Clearstream. A investigação mostrou que as listas eram falsas.Nas listas estava o nome do rival de Villepin e ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que se considera vítima de uma maquinação para prejudicá-lo nas eleições presidenciais de 2007.No entanto, há uma semana, Rondot afirmou à imprensa que Villepin "nunca" pediu a ele que investigasse Sarkozy ou outros políticos. O primeiro-ministro e Chirac negaram publicamente que tenham ordenado a investigação dos políticos.

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