General indonésio condenado por violência no Timor Leste

O general indonésio Noer Muis foi sentenciado a cinco anos de prisão, por não ter evitado dois sangrentos ataques contra civis durante a independência do Timor Leste, em 1999. Com a definição da sentença, Muis é o militar indonésio de mais alta patente a ser condenado pela violência desde o início dos julgamentos.Muis é um dos 18 militares indonésios e milicianos timorenses julgados pela violência ocorrida antes e depois de 30 de agosto de 1999, data de um referendo sobre a independência do Timor Leste, patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU).Até o momento, a corte especial de direitos humanos estabelecida em Jacarta absolveu 12 réus. Dois militares de baixa patente e dois civis foram condenados ao cumprimento de sentenças que variam entre três e dez anos de reclusão. Outras duas pessoas estão sendo julgadas atualmente.Defensores dos direitos humanos qualificam os julgamentos como vergonhosos. Segundo eles, os processos foram abertos para se evitar uma mobilização internacional pela criação de um tribunal da ONU para punir os supostos crimes de guerra cometidos no Timor Leste, nos moldes das cortes criadas para julgar atos similares ocorridos em Ruanda e na ex-Iugoslávia.Muis, que foi o último comandante militar indonésio no Timor Leste, foi condenado por permitir que uma milícia pró-Jacarta atacasse uma igreja na cidade de Suai e matasse 27 pessoas, em 6 de setembro de 1999.No mesmo dia, Muis teria se esquivado de conter um ataque de centenas de milicianos e policiais contra a casa do bispo católico Carlos Belo. Quinze pessoas foram assassinadas no incidente."O réu não assassinou ninguém, mas foi incapaz de evitar e conter os ataques", disse o magistrado Adriani Nurdin à corte de direitos humanos, em Jacarta. "A atitude do réu resultou em muitas vítimas e criou uma imagem negativa da Indonésia aos olhos do mundo", concluiu.Muis nega tal conduta e pretende recorrer. Ele ficará livre até que a Suprema Corte da Indonésia decida sobre o caso.

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