General israelense admite falhas na ofensiva no Líbano

Em uma carta endereçada aos soldados israelenses, o chefe do Estado Maior de Israel, general Dan Halutz, admitiu publicamente pela primeira vez nesta quinta-feira que a performance militar do país durante a recente guerra no Líbano teve falhas.Israel viveu um mês de união durante guerra contra a guerrilha do Hezbollah, mas desde que os combates terminaram na semana passada, o país encontra-se em uma onda de acusações sobre o suposto fracasso dos militares durante a campanha no Líbano.Críticas em relação ao preparamento e às táticas do Exército espalharam-se depois do fim de uma campanha em que muitos contestaram uma suposta vitória de Israel.Questionamentos sobre falta de água e comida para as tropas deram combustível para as exigência para a instalação de um inquérito judicial sobre a conduta do governo durante a guerra.Na carta dirigida aos soldados israelenses, o comandante do Estado Maior, general Dan Halutz, escreveu: "Juntamente com nossas conquistas, os combates revelaram falhas em várias áreas - falhas logísticas, operacionais e de comando. Estamos prontos para uma ampla, honesta, rápida e completa investigação sobre todas as falhas e conquistas.""As questões serão respondidas profissionalmente e todos serão investigados - do soldado mais raso até o comandante do Estado Maior", escreveu, referindo-se ao cargo que ocupa.A guerra começou no dia 12 de julho depois que guerrilheiros do Hezbollah mataram três soldados israelenses e seqüestraram outros dois em uma operação dentro do território israelense. Cerca 160 israelenses - um quarto deles civis - morreram, e os moradores do norte de Israel tiveram que viver por longos dias em abrigos antibomba devido à chuva de mísseis e foguetes lançados pelos guerrilheiros do território libanês - aproximadamente 4 mil projéteis.Enquanto Halutz admitia os erros dos militares, o chefe dos serviços secretos do Shin Bet chamou a guerra de "fiasco" em sua primeira declaração pública sobre os combates."O norte foi abandonado, os sistemas do governo na região entraram em colapso total", disse Yuval Dikisin em um fórum sobre segurança fechado ao público. "Houve várias falhas, e o público vê e entende isso. Não é tempo de varrer para debaixo do tapete. A verdade deve ser dita. Alguém tem que dar explicações e assumir a responsabilidade."Durante uma visita ao norte de Israel nesta quinta-feira, o primeiro-ministro Ehud Olmert afirmou que a reconstrução da região será a sua maior prioridade. "Bilhões serão investidos (...) para transformar o norte no paraíso que pode ser", disse o premier, estimando em mais de US$ 2,3 bilhões o montante que será investido na região durante alguns anos.Olmert também concordou em pedir uma investigação de guerra, e nos próximos dias ele possivelmente decidirá que tipo de sondagem será conduzida. A investigação mais completa seria uma comissão estatal, com poderes suficientes para destituir oficiais militares e governamentais de seus cargos.Matéria ampliada às 15h15

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