General pacifista anuncia candidatura à liderança trabalhista em Israel

O prefeito de Haifa, Amram Mitzna, um general pacifista e noviço na política nacional, anunciou formalmente hoje sua candidatura à liderança do Partido Trabalhista, desafiando o ministro da Defesa Binyamin Ben-Eliezer. O anúncio de Mitzna ocorreu em meio a crescentes sinais de que as eleições em Israel, marcadas para outubro de 2003, podem ser antecipadas em vários meses. Numa entrevista coletiva na sede do partido em Tel Aviv, Mitzna afirmou ser favorável a uma imediata e incondicional retomada das conversações de paz com os palestinos. Ele disse que Israel terá de fazer dolorosas concessões num acordo final de paz, inclusive o desmantelamento de assentamentos judeus. Se as conversações de paz fracassarem, adiantou Mitzna, Israel deveria se demarcar unilateralmente uma fronteira até que as negociações possam ser retomadas. As posições de Mitzna diferem pouco das de Ben-Eliezer ou do terceiro candidato, Haim Ramon. Entretanto, como ministro da Defesa na coalizão de centro-direita do primeiro-ministro Ariel Sharon, Ben-Eliezer tem controlado grandes ofensivas militares contra os palestinos, alienando a ala pacifista do trabalhismo, que ameaça abandonar a legenda caso Ben-Eliezer permaneça na liderança. Uma vitória de Mitzna poderia evitar o racha. Pesquisas divulgadas no fim de semana apontam que Mitzna derrotaria facilmente Ben-Eliezer ou Ramon nas primárias do partido marcadas para 19 de novembro. Ben-Eliezer sugeriu hoje que Ramon poderia integrar sua campanha a fim de conter o avanço de Mitzna, mas Ramon anunciou que não irá desistir de sua candidatura. Independentemente de quem liderar os trabalhistas, as chances de vitória do partido nas eleições parecem pequenas. Durante os últimos dois anos de confrontos israelense-palestinos, um desiludido eleitorado israelense voltou-se para a direita. Recentes pesquisas mostram que o Partido Trabalhista cairia de 26 para 19 cadeiras no Parlamento de 120 membros nas eleições vindouras, enquanto o Likud, de Sharon, ganharia 13 assentos, passando para 32.

Agencia Estado,

13 Agosto 2002 | 17h21

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