General pede reavaliação da estratégia dos EUA no Afeganistão

Relatório pede maior engajamento com população e diz que conflito ainda pode ser vencido.

BBC Brasil, BBC

31 de agosto de 2009 | 18h42

Um dos principais generais americanos no Afeganistão pediu para uma reavaliação das estratégia dos EUA para o país, sugerindo que a atual não está funcionando.

O relatório assinado pelo general Stanley McChrystal ainda não foi publicado e fontes afirmam que o documento diz que apesar da seriedade da situação no Afeganistão, ainda é possível vencer o conflito.

McChrystal afirma que proteger o povo afegão contra o Talebã permanece a principal prioridade.

Mas ele deve afirmar ainda que o povo afegão atravessa uma crise de confiança porque a guerra contra o Talebã não tornou suas vidas melhores, segundo o editor da BBC na América do Norte, Mark Mardell.

Para o general, o objetivo é que o Exército afegão assuma a luta contra o Talebã, mas isso ainda não deve ocorrer por pelo menos três anos já que, segundo ele, levará bem mais tempo para capacitar a polícia do país.

McChrystal diz também que deve existir um esforço para que as vilas capturadas do Talebã permaneçam sob domínio do governo central e não voltem rapidamente para as mãos do grupo, como tem ocorrido.

Vínculos

Comentando o relatório de McChrystal, o ministro da Reabilitação Rural, Wais Barmak, disse que o povo afegão deveria ter sido consultado sobre a estratégia das tropas estrangeiras desde o princípio da invasão que derrubou o Talebã, em 2001.

Ele disse que governo e organizações não-governamentais deveriam oferecer serviços à população logo após as operações militares.

"Esta seria uma forma de estabelecer vínculos com as pessoas no terreno, restabelecendo a confiança no governo", disse ele à BBC.

Para ele, 60% dos problemas afegãos acabaria se existissem mais empregos no país.

Estados Unidos

Cópias do documento foram enviadas ao secretário geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, e ao secretário de Defesa americano, Robert Gates.

Gates disse que, embora não tivesse lido ainda o documento, esperava que este confirmasse que existem "desafios que permanecem além de nós e áreas onde podemos fazer melhor".

"Não há dúvida de que temos uma briga dura pela frente, mas por outro lado várias coisas positivas vêm acontecendo", disse Gates.

Gates ressaltou o aumento no número de soldados no país para as recentes eleições presidenciais.

O documento assinado por McChrystal não fala de um aumento no número de tropas no país. Essa revisão sobre o total de soldados será tema de outro relatório, que deverá ser publicado no final do ano.

Desde maio, o contingente militar americano no Afeganistão praticamente dobrou, e é composto por cerca de 100 mil soldados.

Mas a guerra vem perdendo apoio popular. Pesquisas recentes sugerem que apenas 49% dos americanos acreditam que o conflito valha a pena. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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