General que derrubou Chávez diz que ama a democracia

O presidente interino da Venezuela, Pedro Carmona causou surpresa ao restituir neste sábado à noite poderes à Assembléia Nacional, que ele havia dissolvido quando assumiu o governo provisório, nesta sexta-feira. O presidente interino convocou os deputados para "um período de sessões extraordinárias".Os deputados deverão agora designar os novos membros do Tribunal Supremo de Justiça, Procuradoria-Geral da República e Defensoria do Povo, também destituídos por Carmona, e tomar o juramento do presidente interino. O presidente disse que a mudança resultou de "consultas com distintos atores da sociedade".Aparentemente, a dissolução da Assembléia Nacional era um obstáculo para o reconhecimento do novo governo pela comunidade internacional. Ao tomar posse nesta sexta-feira, Carmona estipulou que as eleições parlamentares se realizariam no máximo até dezembro e as presidenciais, no máximo dentro de um ano.Neste sábado, ele disse que a eleição para presidente deve ocorrer dentro de poucos meses, e que, pelo seu decreto, o presidente interino não pode candidatar-se à presidência.Em entrevista coletiva concedida em seguida, o comandante-em-chefe do Exército, general Efraín Vásquez, citou a manutenção em funcionamento da Assembléia Nacional e do Tribunal Supremo de Justiça como condições para as Forças Armadas apoiarem o novo governo."Isto não é um golpe", enfatizou Vásquez. "Tivemos na Venezuela um problema de perdas humanas, e o fato de que o governo nacional perdeu o controle da situação", explicou, referindo-se à morte de 15 pessoas nas manifestações da última quinta-feira, que culminaram na queda de Chávez. "Queremos manter a democracia. Amamos a democracia", garantiu Vásquez.Outra condição para o apoio, citada pelo general, é "o respeito aos governadores e prefeitos democraticamente eleitos", numa referência às pressões para que os aliados de Chávez deixassem seus cargos. E ainda a manutenção dos programas sociais introduzidos pelo presidente deposto. "Não podemos abandonar o povo", sentenciou o general.Carmona empossou neste sábado o novo ministro da Defesa, vice-almirante Héctor Ramírez Pérez, e reconduziu o alto comando das Forças Armadas. Comentando a notícia de sublevação de oficiais em Maracay, ele disse que um oficial de lá havia "expressado inquietações", mas acrescentou que a cerimônia de posse neste sábado serviria para consolidar o comando das Forças Armadas.O ministro do Interior e da Justiça, Ramón Rodríguez Chacín, depôs neste sábado de manhã. Ele foi preso em flagrante na sexta-feira, por porte ilegal de armas. Depois da deposição de Chávez, a polícia realizou batidas em várias repartições públicas, encontrando revólveres, pistolas e até fuzis em escritórios dos ministérios da Saúde e do Interior e Justiça, entre outros.Estão detidos também 14 suspeitos de atirar contra os manifestantes na quinta-feira. O general Guaicaipuro Lameda, antigo presidente da todo-poderosa estatal do petróleo PDVSA, reassumiu o cargo juntamente com seus ex-diretores.Uma das primeiras medidas da PDVSA foi cortar o suprimento de petróleo para Cuba, que o recebia em troca do envio de médicos à Venezuela, como parte de um excêntrico Acordo Energético. Cerca de 30 desses médicos foram colocados sob custódia da polícia, segundo as autoridades, para ?protegê-los? de agressões de populares.O presidente deposto Hugo Chávez estava neste sábado à noite prestes a deixar a Venezuela, para destino não revelado. O anúncio foi feito pelo presidente interino e confirmado, em seguida, pelo general Vásquez.Segundo Carmona, Chávez não estava detido, mas "sob custódia das Forças Armadas", e deixaria o país porque era esse o seu desejo. Um "dignitário da Igreja" acompanharia a partida de Chávez, disse Carmona, "para constatar sua absoluta integridade moral e física".Nem Carmona nem Vásquez quiseram informar onde estava Chávez. O presidente foi levado na sexta-feira para o Forte Tiuna. Mas, segundo rumores, teria sido transferido na madrugada deste sábado para a Base Aérea de Maracay, em meio a manifestações, na porta do forte, de simpatizantes do ex-presidente.Mais cedo, a mulher de Chávez, Marisabel Rodríguez de Chávez, declarou que ele lhe havia garantido, pelo telefone, nesta sexta-feira, que não havia renunciado, mas se disporia a renunciar perante a Assembléia Nacional, como prevê a Constituição.Para saber mais sobre a Venezuela e os recentes acontecimentos que desencadearam a crise política no país acesse o especial Grandes Acontecimentos Internacionais: Venezuela

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