General rejeita força internacional na divisa do Egito

Para Amos Guilad, forças egípcias devem combater contrabando de armas, condição-chave para trégua

AP e Reuters, GAZA, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

O general Amos Guilad, alto funcionário do Ministério da Defesa de Israel, condenou ontem a ideia de que o combate ao contrabando de armas do Hamas pela fronteira da Faixa de Gaza com o Egito possa ser feito por uma força internacional, como prevê a resolução da ONU aprovada na semana passada. A caminho do Cairo, onde participará das negociações de um cessar-fogo, Guilad afirmou ser possível convencer o Egito a controlar a fronteira.Cairo já havia se negado a acolher em seu território uma força internacional, qualificando a proposta de "atentado à soberania" egípcia. Para Guilad, o controle da divisa - sobretudo o combate aos túneis por onde passam as armas contrabandeadas - deverá ser feito com "tropas do Exército e forças de segurança eficazes do próprio Egito".Segundo diplomatas e militares israelenses, o principal desafio para se chegar a uma trégua são as passagens subterrâneas que ligam a região de Rafah, dentro do território palestino, ao lado egípcio. Israel só estaria disposto a colocar um fim na operação em Gaza - que já matou 890 palestinos, segundo fontes médicas - caso tiver garantias de que o Hamas não será capaz de se rearmar. A exigência seria uma das principais lições aprendidas na guerra contra o Hezbollah, em 2006, quando o arranjo político após os conflitos permitiu ao grupo xiita aumentar em três vezes seu estoque de foguetes, segundo o Exército de Israel."A operação israelense em Gaza tem dois objetivos. O primeiro é acabar com os disparos de foguetes do Hamas. O segundo é acabar com o contrabando e evitar que o grupo se arme com projéteis ainda mais potentes, como foi o caso do Hezbollah no Líbano. Na minha opinião, em termos estratégicos, é esse o maior desafio", afirmou por telefone ao Estado Eli Karmon, pesquisador do Instituto de Contraterrorismo de Hertzlia, Israel.Em entrevista ao jornal Haaretz, o primeiro-ministro Ehud Olmert foi claro: "O resultado (da operação) deve significar um bloqueio efetivo ao corredor Philadelphi (como é conhecida em Israel a divisa entre Gaza e o Egito), com uma supervisão e atualizações."Segundo a major Avital Leibovich, porta-voz israelense, só no ano passado o Hamas foi capaz de contrabandear 100 toneladas de explosivos e outros armamentos através dos 300 túneis clandestinos - contornando o bloqueio imposto a Gaza. Mais da metade dessas passagens, entretanto, já teriam sido destruídas por Israel desde o início da ofensiva, no dia 27.Confrontado com o impasse, Israel tentou formular soluções mirabolantes para acabar com contrabando. Uma delas previa a construção de um muro subterrâneo entre Gaza e Egito (no valor de US$ 250 milhões), com um fosso no meio preenchido com água do mar. Outra planejava criar uma trincheira gigante com uma vala interna. O projeto exigiria o desalojamento de milhares de palestinos.NYT,

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