T.J. Kirkpatrick/The New York Times)
T.J. Kirkpatrick/The New York Times)

General se desculpa por participar de ato político com Trump

Protesto pacífico foi reprimido para que o presidente fizesse foto em frente a Igreja perto da Casa Branca

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 19h27

WASHINGTON - O comandante das Forças Armadas dos Estados Unidos, general Mark Milley, pediu desculpas nesta quinta-feira por participar de uma caminhada, ao lado do presidente Donald Trump, da Casa Branca até a Praça Lafayette, onde o republicano tirou uma foto com a Bíblia em frente a uma igreja que tinha sido danificada por manifestantes durante atos antirracismo pela morte do ex-segurança George Floyd, asfixiado por um policial branco, em Minneapolis. 

Para que Trump pudesse chegar até o local, no dia 1.º, a polícia usou uma força desproporcional contra manifestantes pacíficos, que estavam na frente da residência oficial do presidente. “Aprendi com o erro”, disse Milley, que foi criticado por atrelar as Forças Armadas a um evento político.

Em um discurso gravado para alunos da Universidade de Defesa Nacional, da Escola Nacional de Guerra, ele aconselhou os graduandos a apresentar “um profundo senso de consciência”, que ele diz não ter conseguido se atentar quando caminhava até a praça, com uniforme de combate, ao lado do presidente, do secretário de Defesa, Mark Esper, e outros secretários de Estado.

“O resultado da minha foto na Praça Lafayette foi visto por todos vocês. Aquilo provocou um debate nacional sobre o papel das Forças Armadas na sociedade civil”, disse Milley. “Eu não deveria estar lá. Minha presença naquele momento e naquele ambiente criou a percepção de que os militares estão envolvidos na política doméstica.”

O pedido de desculpas foi feito após uma forte reação de muitos oficiais aposentados, incluindo Jim Mattis, que foi o primeiro secretário de Defesa da gestão Trump. 

Mattis, um general aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais, criticou o presidente por trabalhar para dividir o país. Ele afirmou ainda ter ficado “horrorizado” com a aparição de Milley em um evento que, segundo os críticos, fazia parecer que Trump poderia usar as Forças Armadas contra seus adversários políticos. As críticas de Mattis ainda ganharam mais contundência pelo fato de ele ter dito que era seu “dever” ficar fora da política após sua renúncia como chefe do Pentágono em 2018.

Oficiais da Defesa, falando sob anonimato, disseram que Milley e Esper não sabiam que Trump tinha planos de seguir até a Igreja Episcopal de St. John após caminhar pela Praça Lafayette. Apesar de insistentes pedidos, Milley não apareceu em nenhuma foto ao lado do presidente em frente ao templo. Mas, naquele dia, os dois trabalharam para demover o presidente de usar o Exército contra as manifestações que cresciam em todo o país e chegavam até diante da Casa Branca. 

O pedido de desculpas de Milley foi feito ao final do discurso em que ele classificou a morte de Floyd como um “assassinato brutal e sem sentido”. / W. POST

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.