General venezuelano assume responsabilidade por rebelião de abril

O general do Exército Vidal Rigoberto Martínez assumiu nesta segunda-feira a responsabilidade pelas ações que levaram um grupo de oficiais a desconhecer a autoridade do presidente Hugo Chávez durante o frustrado golpe de Estado de abril. As declarações do alto oficial ocorrem em meio a um tenso ambiente em função dos processos de investigação aberto pelo ministério da Defesa contra mais de uma dezena de militares acusados de participar de uma tentativa de golpe em abril e do ressurgimento de rumores de descontentamento das Forças Armadas.Martínez expressou em entrevista à imprensa que assumia a "plena responsabilidade como chefe militar" pelos atos executados em 11 de abril por um grupo de oficiais de patente média e inferior para impedir a saída dos tanques que foram enviados às ruas para deter uma marcha opositora nos arredores do palácio presidencial. Os tanques foram enviados ao centro de Caracas em obediência às ordens do presidente, que ativou um plano de contingência denominado "Plano Ávila" para restabelecer a ordem na cidade perturbada pelos confrontos entre manifestantes governistas e opositores.Os tanques não puderam sair do forte Tiuna, localizado no oeste de Caracas, porque um grupo de oficiais bloqueou as saídas do posto militar. O alto oficial, que foi até abril passado chefe do comando logístico do Exército, disse que comparecia perante as câmeras de televisão para "apoiar meus subalternos" e protestar contra os processos iniciados pelo ministério de Defesa contra mais de uma dezena de oficiais militares.Martínez qualificou tais processos de atos de "intimidação" contra o militares, que na opinião dele, empreenderam em 11 de abril uma "ação heróica" ao impedir a saída dos tanques do forte Tiuna. Para eles, as buscas em moradias e abertura de processos contra esses oficiais representam uma "flagrante violação" das leis e da Constituição, e acrescentou que a única finalidade de todas essas ações é "persegui-los" para aliviar tensões dentro das Forças Armadas. "Se isto continuar assim, realmente as instituições armadas serão totalmente dilaceradas", disse o oficial, ao mesmo tempo em que advertiu que o setor militar venezuelano está muito fragmentado, com a oficialidade dividida entre "institucionalistas", adeptos do governo, e opositores.Martínez, que foi acusado de delito de rebelião militar pelos acontecimentos de abril, pediu aos subalternos que não fujam das autoridades e enfrentem as investigações.

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