AFP PHOTO / NICHOLAS KAMM
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Genro de Trump queria canal secreto de comunicação com o Kremlin, diz 'Post'

Segundo a reportagem, o objetivo seria o de proteger as discussões pré-posse de Trump de monitoramento, como disseram fontes do governo americano que tiveram acesso a relatórios de inteligência

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 20h18

WASHINGTON -  O embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, relatou a Moscou que o genro do presidente Donald Trump Jared Kushner discutiu com ele a possibilidade de estabelecer um canal de comunicação seguro e secreto para que a equipe de transição do presidente eleito pudesse manter contato com o Kremlin utilizando a estrutura diplomática russa. A informação está em uma reportagem do jornal Washington Post, divulgada nesta sexta-feira, 26. 

Segundo a reportagem, o objetivo seria o de proteger as discussões pré-posse de Trump de qualquer monitoramento, como disseram fontes do governo americano que tiveram acesso a relatórios de inteligência. 

De acordo com essas fontes, Kislyak relatou a seus superiores em Moscou que Kushner, confidente de Trump, fez a proposta durante um encontro no início de dezembro na Trump Tower. A informação estaria em trechos de interceptações de comunicações russas revistas por autoridades americanas. Kislyak afirmou que Kushner sugeriu utilizar instalações da diplomacia russa nos EUA para as comunicações. 

Na reunião na Trump Tower, segundo o Post, também participou Michael Flynn, então conselheiro de segurança nacional de Trump. Flynn se demitiu em fevereiro depois de admitir que mentiu sobre o teor de uma conversa entre ele e Kislyak para o vice-presidente Mike Pence. As conexões de Flynn e Moscou são alvo de investigação pelo FBI.

 

A Casa Branca revelou a realização desse encontro somente em março, minimizando seu significado. Mas pessoas familiarizadas com o conteúdo afirmam que o FBI agora considera o encontro, assim como outras reuniões que Kushner tenha tido com banqueiros russos, pontos de interesse de sua investigação.

Assessor especial de Trump, Kushner é considerado pelo FBI um dos principais suspeitos na investigação sobre laços entre o republicano e Moscou. No começo do mês, Trump demitiu o então diretor do FBI, James Comey, responsável por esse inquérito.

Segundo o Post, Kislyak teria ficado surpreso com a ideia sugerida para permitir que um americano utilizasse equipamentos ou mecanismos russos em suas embaixada ou consulado, uma proposta que poderia ter enormes riscos de segurança tanto para Moscou, como para a equipe de Trump. 

Nem o encontro nem as comunicações dos americanos estavam sob monitoramento dos EUA, disseram as fontes do jornal. A Casa Branca não quis comentar o caso, assim como a defesa de Flynn. Segundo o jornal, a embaixada russa não respondeu aos pedidos de entrevista. 

O jornal pondera que a Rússia, às vezes, alimenta com falsas informações fluxos de comunicação suspeitos de estarem sob monitoramento como uma forma de semear a desinformação e provocar confusão entre analistas dos EUA. / W. POST 

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