George Soros quer Bush e republicanos fora da Casa Branca

George Soros, o especulador financeiro multimilionário de origem húngara que, em uma "quarta-feira negra" de 1992 desbancou nada menos do que o Banco da Inglaterra, quer agora derrubar o homem mais poderoso do planeta: o presidente americano, George W. Bush. De quebra, Soros criticou também aqueles que compartilham da "perigosa" ideologia do presidente americano. E, diferentemente de muitas manobras especulativas obscuras com as quais juntou uma imensa fortuna, esta não é uma operação secreta."O mundo avança na direção errada e estou muito preocupado com o futuro da civilização", disse ele esta semana em uma conferência da Organização dos Estados Americanos (OEA). Uma das amostras mais tangíveis desse rumo equivocado é "a guerra antiterrorista da administração Bush", destacou o magnata e filantropo, que publicou em junho seu novo livro: "A Era da Falência: As conseqüências da Guerra contra o Terrorismo". O investidor de origem judia de 76 anos que sobreviveu ao Holocausto e presenciou o nascimento do comunismo na Hungria, antes de partir para Londres me 1947, contempla com deboche, há algum tempo, a "supremacia ideológica" do presidente dos EUA e de seus seguidores republicanos. Essa ideologia se opõe, segundo seu livro A Bolha da Supremacia dos EUA, de 2004, aos princípios de uma sociedade livre, que caracteriza por reconhecer que as pessoas possuem pontos de vista diferentes e que ninguém possui a verdade suprema. Ele citou, como prova de seu argumento, a primeira parte do Plano de Segurança Nacional, tornado público por Bush em 2002. "As grandes lutas do século XX entre a liberdade e o totalitarismo (...) se resolverão com um único modelo sustentável para o êxito nacional: a liberdade, o desenvolvimento e a livre iniciativa".Conforme assegurou na quarta-feira perante a OEA, essa preponderância de superioridade fazem com que a sociedade livre "esteja em perigo" nos Estados Unidos, onde Soros criou raízes e hoje considera sua casa. Metas da vidaExpulsar os republicanos da Casa Branca tornou-se "o objetivo de sua vida" e uma "questão de vida ou morte", segundo assegurou em uma entrevista ao jornal The Washington Post , no fim de 2003. Para chegar a esse fim, Soros não hesita em recorrer - ainda que com pouco sucesso - a seus próprios recursos. De acordo com seus cálculos, ele gastou por volta de US$ 27 milhões nas eleições presidenciais de 2004 para colocar a oposição Democrata no poder. Embora sua generosidade não tenha surtido efeito, Soros não se deu por vencido. E promete fazer campanha contra Bush sempre que puder.

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