REUTERS/Jonathan Bachman
REUTERS/Jonathan Bachman

George W. Bush visita New Orleans dez anos após o furacão Katrina

Ex-presidente americano fará discurso sobre a recuperação da região destruída pelo desastre; demora em reagir ao furacão marcou um dos momentos mais difíceis da gestão Bush

O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 11h12

NEW ORLEANS - George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos, volta nesta sexta-feira, 28, a New Orleans, palco de um do momentos mais difíceis enfrentados em seus dois mandatos, para constatar a recuperação da região no 10º aniversário do furacão Katrina, o desastre natural que causou mais prejuízos ao país.

Bush escolheu fazer um discurso na escola secundária Warren Easton, a mesma que ele visitou um ano depois da catástrofe, em 2006. Ele estará acompanhado da mulher, Laura, cuja fundação ajudou a reconstruir esta que é a mais antiga escola pública de New Orleans. O sucesso na recuperação da escola é um dos destaques do presidente naquele que foi um momento extremamente penoso para sua administração.

Bush, foi duramente questionado em razão da resposta apática de seu governo ao Katrina. Douglas Brinkley, historiador especializado na presidência dos EUA da Rice University e autor do livro "The Great Deluge" (O grande dilúvio, em tradução livre), um relato detalhado sobre os primeiros dias após o Katrina, disse que o furacão se tornou uma "confluência de erros" dos quais Bush nunca se recuperou. A aprovação do ex-presidente caiu após a catástrofe e não se recuperou até o fim de seu mandato. "A partir daquele momento, acredito que sua presidência iniciou uma tendência descendente."

Pelos erros em New Orleans, Bush e sua equipe foram ridicularizados pelos moradores da Louisiana, tornando-se uma fonte de profundo ressentimento e chacota - estátuas irônicas do presidente foram exibidas em desfiles de carnaval durante anos depois do Katrina. Em Warren Easton, pelo menos, Bush pode mostrar uma história de sucesso.

"Temos boas recordações de sua última visita aqui", disse Arthur Hardy, uma celebridade em Nova Orleans por seu conhecimento em todas as coisas ligadas ao Mardi Gras, o festival de carnaval típico de New Orleans. Hardy se formou na escola secundária em 1965. Para ele, Bush, ajudou a escola a ser reaberta e voltar a funcionar após o Katrina. 

Depois de New Orleans, a família Bush visitará Gulfport, no Mississippi, para participar de um evento com funcionários do Estado, incluindo o governador Phil Bryant e ex-governador Haley Barbour - que governava o Estado quando o Katrina o atingiu e foi um dos principais aliados de Bush na ocasião. O evento em Mississippi servirá para agradecer socorristas que ajudaram após o furacão.

A Costa do Golfo e New Orleans são lugares aos quais o ex-presidente está profundamente ligado - tanto por ser um texano familiarizado com o Golfo quanto por ser o presidente que teve que lidar com o desastre do Katrina. A maior parte da reconstrução da região foi tocada pelo governo Bush, que direcionou mais de US$ 140 bilhões para recuperar áreas destruídas pelo Katrina, segundo a equipe do ex-presidente.

Bush assumiu, em grande medida uma abordagem distante e disse em várias ocasiões que achava melhor que a reconstrução fosse deixada a cargo dos moradores locais. Ele fez frequentes viagens para a região desde o Katrina, disse seu escritório. Boa parte da reconstrução - agora vista como uma história de sucesso - foi supervisionado por pessoas indicadas pelo ex-presidente.

Em 2006, quando esteve na região para falar no 1º aniversário do desastre, Bush escolheu Warren Easton como um exemplo da recuperação do espírito da cidade. Na ocasião, quase todos os alunos que participaram do evento eram considerados "sem-teto" porque viviam em trailers enviados para as vítimas do furacão pela Agência Federal de Gestão de Emergência, disseram funcionários da escola. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.