Geórgia acusa Rússia de tentar golpe

Presidente Mikhail Saakashvili diz que Moscou quer derrubá-lo e tomar o país, mas pede calma à população

AP, EFE E AFP, O Estadao de S.Paulo

12 de agosto de 2008 | 00h00

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, acusou ontem a Rússia de tentar derrubá-lo e de querer ocupar militarmente o país. "O objetivo da Rússia é a mudança de regime na Geórgia. Estamos diante de um processo de ocupação", declarou Saakashvili, em entrevista coletiva diante da sede do governo em Tbilisi. "Mas nós não nos renderemos. Defenderemos nosso povo."Saakashvili disse que aviões russos sobrevoaram ontem a cidade de Gori tão baixo que ele e o chanceler francês, Bernard Kouchner, tiveram de abandonar a região às pressas. O presidente informou também que assinou um documento de cessar-fogo unilateral patrocinado por Kouchner e pelo chanceler da Finlândia, Alexander Stubb.O acordo prevê a retirada de todas as forças russas do território georgiano, até mesmo da Ossétia do Sul e da Abkházia, e o envio de uma força internacional de paz composta por Rússia e Geórgia, mas aberta aos europeus, "caso eles desejem participar", segundo Saakashvili. Ministros das Relações Exteriores do G-7, grupo que reúne as sete maiores potências do mundo, pediram que a Rússia aceite o cessar-fogo.Kouchner e Stubb viajaram ontem mesmo para Moscou para apresentar a proposta ao Kremlin. Mas, segundo analistas, é muito pouco provável que o governo russo aceite as condições impostas pelo cessar-fogo.A França apresentou ontem ao Conselho de Segurança da ONU - que se reuniu pela quinta vez nos últimos cinco dias em Nova York - uma proposta de resolução pedindo o fim imediato das hostilidades entre a Rússia e a Geórgia e o retorno de todas as forças à posição em que estavam antes do dia 6. Mas a Rússia rejeitou a proposta, qualificando-a de "inaceitável".Durante a reunião do Conselho, o embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, disse ter recebido de seu colega russo, Vitaly Churkin, a garantia de que Moscou não tem planos de derrubar Saakashvili.O socorro diplomático continua hoje, com a chegada do presidente da França, Nicolas Sarkozy, à Geórgia. Ontem, chefes de Estado da Polônia, Lituânia, Estônia, Lituânia e Ucrânia emitiram um comunicado conjunto em solidariedade a Saakashvili e prometeram visitar Tbilisi em breve.O presidente dos EUA, George W. Bush, que está em Pequim, denunciou a ofensiva russa como "brutal e dramática". Em um artigo publicado ontem no site oficial do governo cubano, Fidel Castro acusou Bush de ter instigado Saakashvili a lançar o que chamou de "uma aventura militar na Ossétia do Sul".

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