'Georgia e Ohio são a chave para Romney'

Ex-governador tem a 1ª chance de 'xeque-mate' se conseguir vencer hoje nos 2 grandes Estados, defende veterano analista

Entrevista com

ROBERTO SIMON, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2012 | 03h06

A disputa de hoje pela nomeação republicana em dez Estados - valendo preciosos 419 delegados - pode isolar o ex-governador Mitt Romney na liderança e, por consequência, secar as fontes de financiamento de campanha de seus rivais. "É algo possível, mas um tanto difícil", pondera Eugene Robinson, colunista do Washington Post e ganhador do Prêmio Pulitzer por sua cobertura da campanha de 2008 de Barack Obama.

Robinson afirma ainda que a consagração de Romney agora seria uma boa notícia ao Partido Republicano, desgastado com a disputa interna e "excessivamente ideológico". A guinada republicana à direita, diz, custará caro na hora de enfrentar Obama. A seguir, a conversa por telefone com o Estado.

As votações de hoje podem dar a Romney a oportunidade de um xeque-mate nessa disputa?

Romney pode sim dar um xeque-mate hoje. Para isso, precisa vencer os Estados de Ohio (66 delegados) e Georgia (76 delegados). No primeiro, ele levaria uma região na qual (o ex-senador Rick) Santorum tem grandes chances. Quanto à Georgia, conseguiria um eleitorado muito cobiçado pelo (ex-deputado Newt) Gingrich. São dois grandes Estados, com muitos delegados e, somados a Massachusetts e outros lugares onde Romney deve ganhar de qualquer forma, podem torná-lo o grande favorito. Com isso, as fontes de financiamento das campanha de seus concorrentes secariam. Diria que esse cenário é possível, mas um tanto difícil. Ele não deve levar Ohio e Georgia com facilidade.

Se Romney conseguir e as fontes de campanha de seus rivais secarem, qual seria o próximo passo? Os demais pré-candidatos desistiriam da corrida?

Não vejo outra alternativa. Gingrich provavelmente tentaria segurar por mais uma semana, para aguardar o resultado de mais algumas primárias. Santorum, ainda um pouco mais. Sem dinheiro, porém, não há como conduzir uma campanha.

O fim da pré-campanha não seria bom para o conjunto do Partido Republicano, que se concentraria em derrotar Obama?

Sem dúvida, o fim da campanha interna seria ótimo para os republicanos. Uma disputa prolongada é inevitavelmente desgastante em termos eleitorais. E, após esse enfrentamento dos últimos meses, a unificação do partido será dolorosa.

Nós vimos os republicanos migrando cada vez mais para a direita em busca de apoio da base do partido. Qual é o custo desse movimento para a disputa nacional, considerando que, tradicionalmente, o vencedor da eleição nos EUA é aquele que consegue atrair o centro do eleitorado?

Não há dúvida de que o fato de o Partido Republicano ter se voltado demais para a direita terá consequências na disputa com Obama. Um exemplo prático disso é o discurso mais radical que Romney acabou adotando sobre imigração e proteção de fronteira, o qual já afastou parte do eleitorado hispânico.

E o que pode ser feito para tentar reverter essa situação?

A verdade é que não há muito o que fazer. Ele não pode mais abandonar as posições radicais que publicamente adotou.

Nas últimas décadas, as figuras que dominavam o Partido Republicano eram gente como George H. W. Bush, James Baker ou mesmo John McCain - tradicionais conservadores. Esses políticos não teriam a menor chance em uma primária hoje em dia. A essência dos republicanos parece ter mudado, mas para qual direção?

Republicanos formam hoje um partido altamente ideológico - excessivamente ideológico, eu diria -, sem figuras moderadas, de centro. Tanto no curto quanto no longo prazo, isso é um grande problema e não há nenhuma solução à vista. Esse 'desvirtuamento' geralmente é corrigido após derrotas em série nas urnas. Um fracasso em novembro pode levar pessoas dentro do partido a decidir mudar de curso. Mas talvez ele não seja o suficiente.

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