AP Photo/Shakh Aivazov
AP Photo/Shakh Aivazov

Geórgia elege sua primeira presidente mulher

Ex-presidente que vive no exílio, Mikheil Saakashvili diz que houve fraude e pede que população proteste contra resultado

O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2018 | 20h52

A ex-ministra das Relações Exteriores Salome Zurabishvili se tornou a primeira mulher eleita presidente da Geórgia nesta quinta-feira, 29, de acordo com os resultados finais, questionados pela oposição, que denunciou uma fraude nas eleições.

Zurabishvili, nascida na França e que foi embaixadora deste país, apoiada pelo partido no poder Sonho Georgiano, obteve 59,25% dos votos, enquanto o candidato de uma aliança de 11 partidos de oposição, Grigol Vashadzé, obteve 40,48%.

Essa aliança opositora, o Movimento Nacional Unido (MNU), foi criada pelo ex-presidente no exílio, Mikheil Saakashvili, que denunciou uma "fraude eleitoral maciça" e pediu aos georgianos que se "manifestem pacificamente para exigir eleições legislativas antecipadas".

Nesta quinta, Vachadzé rejeitou os resultados das eleições e pediu que as pessoas se manifestem nas ruas. "Não reconhecemos os resultados eleitorais, pedimos que se realizem eleições parlamentares antecipadas", declarou Vachadzé na televisão.

O político fez uma convocação para realizarem uma "grande manifestação pacífica" no centro de Tbilisi no domingo contra o resultado.

Após a sua vitória, a nova presidente afirmou que a Geórgia havia apostado pela Europa. "É importante mostrar que o país escolheu a Europa e, por isso, os georgianos elegeram presidente uma mulher europeia", afirmou.

Tratam-se das últimas eleições presidenciais com eleição direta nesta antiga república soviética do Cáucaso, antes de passar para um regime parlamentar. Embora o cargo de presidente se converta em algo essencialmente simbólico depois dessas mudanças constitucionais, esta votação supõe um verdadeiro teste para o partido no poder.

As eleições na Geórgia - que aspira se unir à União Europeia (UE) e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - prefigura o duelo nas legislativas de 2020 entre o Sonho Georgiano, no poder desde 2012, e o MNU de Saakashvili.

Revés

No primeiro turno das eleições presidenciais, em 28 de outubro, Salome Zurabishvili não conseguiu superar os 50% dos votos, um resultado considerado um revés para o Sonho Georgiano, fundado pelo bilionário Bidzina Ivanishvili, que muitos dizem acreditar comandar das sombras.

Zurabishvili, franco-georgiana de 66 anos, estava quase empatada (38,64%) com Grigol Vashadzé (37,73%). 

Ambos os candidatos compartilhavam a necessidade de uma aproximação do país com a União Europeia e a Otan, mas diferem na forma como abordam suas relações com a Rússia.

"O Sonho Georgiano adota um tom mais moderado em suas relações com Moscou, enquanto o MNU é tradicionalmente abertamente crítico" com o presidente russo, Vladimir Putin, explica o analista Gia Nodia.

Saakashvili chegou ao poder em 2004 e durante a sua presidência o país viveu a desastrosa guerra contra a Rússia em 2008, até deixar o cargo em 2013.

A oposição acusou o governo de intimidar os eleitores e afirmou que os militantes do Sonho Georgiano agrediram membros do partido de Vashadzé.

Relembre: 

Zurabishvili, que manteve um perfil discreto no primeiro turno, afirmou que ela e seus filhos foram ameaçados de morte.

Três ONGs georgianas, incluindo a filial local da Transparência Internacional, indicaram na semana passada que tinham provas de que o governo imprimiu documentos de identidade falsos para fraudar o segundo turno.

A Organização para Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) considerou nesta quinta-feira que as eleições "foram disputadas" e que "os candidatos puderam fazer campanha livremente". No entanto, criticou o "uso abusivo" dos recursos do Estado para favorecer Zurabishvili./AFP

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