Geórgia se diz disposta a restabelecer diálogo com a Rússia

Entrada do país na Organização Mundial do Comércio necessita de aprovação de Moscou

Efe

22 de outubro de 2010 | 12h45

TBILISI - A Geórgia está aberta a restabelecer o diálogo com a Rússia dois anos depois de os países terem cortado suas relações diplomáticas, segundo afirmou nesta sexta-feira, 22, o ministro de Relações Exteriores georgiano, Grigol Vashadze.

 

"A Geórgia não se nega nem se negará ao diálogo com a Rússia. De fato, estamos à espera que respondam a nossa vontade de resolver os problemas de maneira construtiva", disse Vashadze.

 

No entanto, o chanceler assinalou que seria "ilusão" pensar que a Geórgia abordará questões comerciais e humanitárias durante as conversas. "As negociações são necessárias apenas para tratar da retirada das tropas russas, da restauração da integridade territorial da Geórgia e do retorno digno dos refugiados", acrescentou.

 

Tbilisi rompeu relações diplomáticas com Moscou depois que a Rússia reconheceu a independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul.

 

Vashadze se disse convencido de que os dois países manterão estes diálogos futuramente, mas afirmou que "é difícil prever quando". "Moscou não tem nenhuma estratégia pensada para o Cáucaso Sul, mas para conseguir algo em uma região tão complicada, primeiro deve saber o que quer", disse o ministro.

 

Perguntado a respeito do ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC), Vashadze disse que não é um assunto que "acabe com o sonho da Geórgia". "A Rússia deveria se unir à OMC, como nós já o fizemos, mas ali existem regras e procedimentos claros e a Rússia os infringe com seu comportamento na fronteira com a Geórgia", declarou.

 

Apesar de contar com o apoio dos EUA, a entrada na OMC exige o consenso de todos os membros da organização, por isso a Rússia deverá concluir as negociações com o resto dos países, em particular com a Geórgia.

 

Tbilisi reiterou sua intenção de bloquear a adesão da Rússia à organização internacional até que Moscou abra postos alfandegários conjuntos nas fronteiras entre ambos os países, incluído na Abkházia e na Ossétia do Sul. Além disso, a Rússia ainda deverá finalizar as negociações comerciais que mantém com a União Europeia.

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