Geração nuclear pós-Fukushima pode cair 15%

O desastre de Fukushima pode causar uma redução de 15 por cento na geração mundial de energia nuclear até 2035, período em que a demanda energética deve crescer 3,1 por cento ao ano, segundo uma versão preliminar, obtida pela Reuters, do relatório anual da Agência Internacional de Energia, chamado Perspectiva Energética Mundial.

HENNING GLOYSTEIN, REUTERS

04 de novembro de 2011 | 11h47

Depois do acidente de março no Japão, vários países passaram a reconsiderar suas políticas nucleares, e alguns, como Alemanha e Suíça, optaram por abandonar totalmente essa forma de energia.

O relatório, a ser publicado na quarta-feira que vem, desenvolve cenários energéticos em que a geração nuclear tenha um papel muito reduzido. A versão vista pela Reuters é datada de julho.

No cenário citado, "a capacidade total de geração energética nuclear cai de 393 gigawatts no começo de 2011 para 339 gigawatts em 2035", o que significa uma queda de 15 por cento. No outro cenário avaliado, a capacidade do parque nuclear global subiria para 638 gigawatts.

O relatório deixa claro que o cenário de recuo nuclear não é uma previsão - apenas "se destina a ilustrar o que poderia resultar de uma visão pessimista para as perspectivas da indústria da energia nuclear".

"A parcela da energia nuclear na geração total cai de 13 por cento para apenas 7 por cento em 2035, com implicações para a segurança energética, a diversidade da matriz de combustíveis, os gastos com importação energética e as emissões de CO2 associadas à energia".

A AIE disse que a redução na geração de energia nuclear já causou um aumento na geração de energia a partir do petróleo e do gás. "O aumento da demanda para o petróleo no setor energético japonês em 2011 é estimado em algo entre 150 e 200 mil barris por dia, enquanto a demanda por GNL (gás natural liquefeito) tem previsão e aumentar em 11 bilhões de metros cúbicos", diz o relatório.

Isso equivale a 0,2 por cento da oferta mundial de petróleo, e 0,4 por cento da oferta de gás natural.

Mesmo assim, a previsão da AIE é de queda no valor do gás em longo prazo, "por causa das melhores perspectivas para a produção comercial de recursos gasíferos não-convencionais".

No cenário principal do relatório, o gás natural deve chegar em 2035 a valores entre 9 e 14 dólares por milhões de BTU (unidade-padrão de medida), dependendo da região. No relatório anterior da AIE, a previsão para 2035 era de 10,40 e 15,30 dólares por milhão de BTU.

No mesmo cenário, a demanda mundial por eletricidade deve saltar de 17.200 terawatts-hora, em 2009, para quase 31.500 terawatts-hora em 2035, a uma taxa anual de 3,1 por cento.

O relatório disse que o investimento total no setor energético entre 2011 e 2035 deve ser de 16,8 trilhões de dólares.

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