´Geração roubada´ da Tasmânia será indenizada

O governo do Estado australiano da Tasmânia anunciou uma indenização de US$ 3,7 milhões para as vítimas da "geração roubada", os milhares de crianças e jovens aborígines separados de suas famílias à força. O líder do governo da ilha, Paul Lennon, se comprometeu ao ser eleito, em março, a fazer de seu Estado a ponta-de-lança da reconciliação com os aborígines no país. Lennon apresentou à comunidade aborígine de Tasmânia a proposta para indenizar as vítimas diretas e seus descendentes. O assessor legal do Centro Aborígine da Tasmânia, Michael Mansell, comemorou a decisão de seu governo, que apresentará a nova lei ao Parlamento do Estado no fim de outubro. Só lamentou que odinheiro não possa compensar o sofrimento das vítimas. "Elas foram impedidas de crescer com suas famílias e sua comunidade durante 10, 20 anos. Nem o dinheiro, nem o pedido de perdão podem devolver o que perderam", disse Mansell. O caso da geração roubada, formada por mais de 100 mil crianças e jovens aborígines separados à força de suas famílias entre 1910 e 1970, foi investigado em 1997 por um comitê parlamentar. O relatório final recomendava ao governo australiano indenizar economicamente os afetados pelas políticas de "genocídio e assimilação forçosa". As crianças foram postas sob a tutela deordens religiosas e famílias brancas sob o pretexto de que precisavam ser protegidas e educadas. No entanto, o primeiro-ministro, John Howard, rejeitou a possibilidade de indenizações, que considerou impossíveis na prática. A Comissão parlamentar também solicitou às autoridades quepedissem perdão em nome do povo australiano e que criassem um dia nacional em memória do evento. Nenhuma das recomendações foi adotada pelo Executivo, que alegou não ser responsável por atos de administrações anteriores.

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