Gestação e parto matam 500 mil mulheres por ano, diz Unicef

Mais de meio milhão de mulheres morrepor ano no mundo durante o parto e a gestação, frequentementedevido à falta de assistência obstétrica em caso dehemorragias, disse o Unicef (Fundo da ONU para a Infância) nasexta-feira. Apesar de alguns avanços modestos, especialmente na Ásia, ataxa de mortalidade materna continua teimosamente estáveldevido à falta de recursos financeiros e vontade política,segundo um relatório divulgado pela agência. Em 2005, estima-se que tenham ocorrido 536 mil mortesmaternais, sendo 99 por cento em países em desenvolvimento, emetade na África Subsaariana. "Um dos gargalos críticos sempre foi o acesso aprofissionais de saúde altamente qualificados, necessários pararealizar o atendimento obstétrico de emergência,particularmente durante cesarianas", disse Peter Salama,diretor de saúde do Unicef, em entrevista coletiva. Cerca de 50 milhões de partos no Terceiro Mundo, ou 40 porcento dos nascimentos mundiais, não têm ajuda de profissionaisqualificados, segundo o estudo. As hemorragias causam uma emcada três mortes maternais na África e Ásia. Infecções,hipertensão, complicações pelo aborto, parto obstruído ou Aidssão outras causas importantes. Mortes por esses problemas em geral poderiam ser facilmenteevitadas em hospitais que tivessem especialistas em tempointegral, mas as disparidades ainda são enormes. "O risco de morte materna ao longo da vida num país emdesenvolvimento como um todo é de 1 em 76, comparado com 1 em8.000 no mundo industrializado", disse o Unicef. O lugar mais perigoso do mundo para parir é o Níger, ondeuma em cada sete mulheres morrerá durante a gravidez ou parto.Em Serra Leoa, a proporção é ligeiramente melhor, 1 para 8. Mas outros países pobres, como Sri Lanka e Moçambique,conseguiram reduzir as taxas de mortalidade materna, segundo odocumento, que recomenda planejamento familiar, qualificação departeiras e investimentos em cuidados obstétricos e pós-natais. Atualmente, a redução é inferior a 1 por cento ao ano, enesse ritmo o mundo vai descumprir uma das chamadas Metas deDesenvolvimento do Milênio, a de que até 2015 o número demortes de gestantes e parturientes caia abaixo de 150 mil porano, uma redução de 75 por cento em relação a 1990. "A hora é esta. Sabemos exatamente o que fazer pela reduçãoda mortalidade materna para que esta seja uma das próximasgrandes questões na saúde global", disse Salama, segundo quem omundo precisaria de investimentos adicionais de 10 bilhões dedólares por ano para combater a mortalidade materna e infantil. O Unicef disse na semana passada que mais de 9 milhões decrianças morreram antes do seu quinto aniversário em 2007, umaligeira redução em relação ao ano anterior, e que persiste umaenorme disparidade também nesse quesito entre países ricos epobres.

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