Brennan Linsley/AP
Brennan Linsley/AP

Gestão Obama transfere mais presos de Guantánamo

Quatro iemenitas foram enviados à Arábia Saudita; transferência dos outros 19 homens considerados aptos a ficar em liberdade está sendo negociada

O Estado de S. Paulo

05 Janeiro 2017 | 17h26

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou a liberação de mais prisioneiros de Guantánamo, Cuba, para terceiros países, em sua última tentativa de esvaziar a prisão antes de Donald Trump assumir a Casa Branca. O magnata pressiona para acabar com as libertações. Nesta quinta-feira, 5, quatro iemenitas chegaram à Arábia Saudita e se reuniram com parentes no aeroporto de Riad. 

Está sendo negociada a transferência de outros 19 presos para Itália, Omã ou Emirados Árabes Unidos. 

Na terça-feira 3, Trump advertiu contra novas libertações em mais uma de suas mensagens no Twitter. "Não deveria haver mais libertações em Gitmo (código militar do aeroporto da base de Guantánamo). São pessoas extremamente perigosas e não se deve permitir que voltem ao campo de batalha", escreveu Trump, que prometeu manter e ampliar a prisão, além de enchê-la de "caras maus".

Se a tentativa de libertar os 19 prisioneiros se confirmar antes do dia 20 - quando Trump assume a presidência americana - Obama deixará o cargo com todos os presos considerados aptos a serem transferidos em liberdade. Restarão na base de Guantánamo 36 pessoas que estão à espera de julgamento  ou são consideradas perigosas para ficar em liberdade e, portanto, deveriam ser enviadas aos EUA para serem julgadas e, se necessário, mantidas em prisões americanas. 

Dos 59 presos atualmente na base, 10 enfrentam acusações de comissões militares que icluem conspirações para os ataques de 11 de setembro.

Com essa população residual será impossível Obama fechar totalmente a prisão, como prometeu logo após chegar à Casa Branca para seu primeiro mandato, em 2009. Após a vitória de Trump sobre a democrata Hillary Clinton, o atual presidente inclusive lamentou não ter conseguido "fechar essa maldita prisão".

No mês passado, a administração Obama notificou o Congresso da sua intenção de realizar novas transferências de presos, se referindo aos 23 casos em que as agências de inteligência americanas avaliaram que as pessoas tinham condição de ficar em liberdade.      

"Esperamos que haja mais transferências. Mas não comentamos sobre o progresso de cada caso até que o processo de transferência esteja completo", afirmou a porta-voz da Casa Branca Emily Horne. Em abril, a Arábia Saudita, grande aliado de Washington, aceitou nove iemenitas de Guantánamo. 

A prisão de Guantánamo, aberta pelo ex-presidente George W. Bush para prender suspeitos de terrorismo após o ataque de 11 de setembro de 2001, chegou a abrigar cerca de 800 presos pouco após sua abertura.

Sob a gestão Bush, a prisão se tornou símbolo de práticas de detenção abusivas, onde ocorreram casos de tortura. Quando assumiu a presidência em 2009, Obama recebeu Guantánamo com 242 presos e classificou o local de "ferramenta de recrutamento" para terroristas, mas suas tentativas para fechar o local foram bloqueadas pelo Congresso, que impediu a transferência de presos para os EUA. 

Autoridades da administração Obama deixaram claro que o presidente não tem a intenção de recorrer a uma ação executiva, passando por cima das decisões do Congresso, para fechar a prisão antes de deixar o cargo. / REUTERS

 

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