Gesto de Lula é visto como apoio a Kirchner

Os jornais argentinos deram uma amostra hoje do que será a cobertura da viagem que o candidato presidencial Néstor Kirchner fará à Brasília, nestas quarta e quinta-feiras, para encontrar-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A audiência que o vice-chanceler argentino, Martín Redrado, teve com o presidente Lula ontem é manchete dos jornais de maior circulação no país. Todos interpretaram o "apoio de Lula" ao candidato apoiado pelo presidente Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner. La NaciónO La Nación estampou no alto da primeira página o "surpreendente anúncio de Lula, a poucas horas de reunir-se com Kirchner", no título "Apoio do Brasil: outorgou um crédito de US$ 1 bilhão de dólares". O jornal classificou o gesto de Lula como uma prova de que "a proclamada intenção de revitalizar o Mercosul é real". O jornal dedicou três matérias sobre a visita de Martín Redrado, uma sobre o anúncio do empréstimo; outra intitulada "um crédito habitual, de cifra inusual" que comenta "a particularidade do montante concedido"; e, uma última sobre o "início do trabalho bilateral por uma moeda do Mercosul".El CronistaO El Cronista deu dois destaques de capa: "Brasil, disposto a adiar travas aos transgênicos" e "Lula financiará exportações da Argentina". Na primeira matéria, o jornal afirma que o decreto do governo brasileiro que obriga a etiquetagem de alimentos que contenham mais de 1% de organismos geneticamente modificados, "não entraria em vigor imediatamente para as exportações argentinas". O jornal disse ainda que Redrado afirmou que o Brasil "flexibilizará a norma para produtos agrícolas argentinos". Na segunda matéria, El Cronista destaca que o crédito a ser concedido à Argentina é "uma jogada para dar ao BNDES uma projeção regional", e lembra que há duas semanas, "durante encontro entre o presidente venezuelano, Hugo Chavez, e o presidente Lula, foi anunciado um crédito para financiar exportações de bens e serviços brasileiros para a Venezuela, no mesmo valor do empréstimo para a Argentina, e Chavéz ofereceu o petróleo como garantia de pagamento". Infobae O Infobae escolheu a notícia para a sua manchete principal: "Lula recebe Kirchner com um crédito de U$S 1 bilhão de dólares". Em sua chamada de capa, o jornal diz que o vice-chanceler "revelou que o presidente do Brasil ordenou a um banco oficial dispor de uma linha para financiar exportações argentinas à qualquer destino. É um forte gesto político de respaldo a Kirchner, com quem se reunirá depois de amanhã. E também um sinal de impulso ao Mercosul". O Infobae fez duas matérias sobre o tema, uma intitulada "Forte gesto de Lula para Kirchner", na qual comenta sobre o crédito que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dará à Argentina. A outra repercurte negativamente as declarações de Redrado de que haveria um estudo para estabelecer uma banda cambial para os dois sócios do Mercosul: "Redrado provocou muito ruído em sua viagem ao Brasil". O jornal afirma que o anúncio de tal estudo provocou a alta do dólar e surpreendeu a equipe econômica do governo Lula.O Página 12 ficou preso ao enfoque sobre "a integração monetária com Brasil é um caminho longo ainda em estudo" e deu somente uma notinha no pé da matéria principal sobre o crédito oferecido pelo presidente Lula. O jornal classificou de "manifestações otimistas", o anúncio de Redrado sobre as bandas cambiais, e destacou a morna receptividade que a idéia teve por parte do governo brasileiro que "considera o assunto somente como um tema em estudos". Clarín Entre os jornais mais importantes do país, o Clarín foi o único que deu destaque menor em sua capa e preferiu outro assunto: "Avanço à uma moeda turística com Brasil". Clarín evitou relacionar o anúncio da linha de crédito à Argentina como um apoio à Kirchner, assim como o encontro que haverá entre o candidato e o presidente Lula. Sua matéria principal é sobre a criação de uma moeda do Mercosul para as exportações e o turismo "para evitar o uso de dólares no comércio entre Argentina e Brasil. Os dois países coordenarão políticas comuns sobre a cotação do câmbio. Entre elas, o controle à entrada de capitais especulativos".

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