REUTERS/Dado Ruvic/Illustration
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Gigantes da tecnologia se unem contra terrorismo de extrema direita e supremacistas brancos

Empresas como Facebook e Microsoft criam banco de dados para reprimir publicação de material de supremacistas brancos e milícias de extrema direita

Elizabeth Culliford/ Reuters, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 10h00

Uma organização de contraterrorismo formada por algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, incluindo Facebook e Microsoft, está significativamente expandindo os tipos de conteúdo extremista compartilhados entre empresas em um crucial banco de dados. O objetivo é reprimir material de supremacistas brancos e milícias de extrema direita, disse o grupo à agência de notícias Reuters.

Até agora, o banco de dados do Fórum Global da Internet para Combate ao Terrorismo (GIFCT, na sigla em inglês) se concentrou em vídeos e imagens de grupos terroristas em uma lista das Nações Unidas, abrangendo, portanto, principalmente em conteúdo de organizações extremistas islâmicas, como o Estado Islâmico, a Al Qaeda e o Talibã.

Nos próximos meses, o grupo adicionará manifestos de agressores — muitas vezes compartilhados por simpatizantes depois de atos de violência de supremacistas brancos — e outras publicações e links rastreados pela iniciativa da ONU “Tecnologia Contra o Terrorismo”. 

Ela usará listas do grupo de compartilhamento de inteligência Five Eyes (ou Cinco Olhos, a aliança entre as inteligências da Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos), adicionando URLs e PDFs de mais grupos, incluindo os Proud Boys, Three Percenters e neonazistas.

As empresas, que incluem o Twitter e o YouTube, compartilham "hashes", representações numéricas únicas de conteúdo original que foram removidas de seus serviços. Outras plataformas usam isso para identificar o mesmo conteúdo em seus próprios sites a fim de revisá-lo ou removê-lo. 

Embora o projeto ajude a combater o conteúdo extremista em plataformas convencionais, os grupos ainda conseguem postar retórica e imagens violentas em muitos outros sites e partes da Internet. À Reuters, o diretor executivo do GIFCT, Nicholas Rasmussen, disse que o grupo de tecnologia quer combater uma gama mais ampla de ameaças.

“Qualquer pessoa que analise o cenário de terrorismo ou extremismo tem que entender que há outras partes que demandam atenção agora”, disse Rasmussen, citando as ameaças de extremismo violento de extrema direita ou atos de ódio motivados pelo racismo.

As plataformas de tecnologia há muito são criticadas por não policiarem o conteúdo extremista violento, embora também enfrentem preocupações sobre censura. A questão do extremismo doméstico, incluindo a supremacia branca e grupos de milícia, passou a ter urgência novamente após a invasão de 6 de janeiro contra o Capitólio dos EUA.

Quatorze empresas podem acessar o banco de dados GIFCT, incluindo o Reddit; o Snap, que é proprietário do Snapchat; o Instagram, que pertence ao Facebook; a Verizon Media; o LinkedIn da Microsoft; e o serviço de compartilhamento de arquivos Dropbox.

O GIFCT, que agora é uma organização independente, foi criado em 2017 sob pressão dos governos dos EUA e da Europa após uma série de ataques violentos em Paris e Bruxelas. 

Seu banco de dados contém principalmente impressões digitais de vídeos e imagens relacionadas a grupos listados como alvo de sanções pelo Conselho de Segurança da ONU e alguns poucos ataques transmitidos ao vivo, como o realizado contra uma mesquita em Christchurch, Nova Zelândia, em 2019.

O GIFCT enfrentou críticas e preocupações de alguns grupos de direitos humanos e digitais em relação à censura. “Um exagero nas práticas nessa área o leva na direção de violar os direitos de alguém na Internet no que concerne à liberdade de expressão”, disse Rasmussen.

O grupo deseja continuar a ampliar seu banco de dados para incluir hashes de arquivos de áudio ou certos símbolos e para aumentar o número de integrantes. Recentemente, ele adicionou a gigante de aluguel de residências Airbnb e a empresa de marketing por e-mail Mailchimp como membros

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