Christopher Gregory / NYT
Christopher Gregory / NYT

Gigantes da web facilitaram vigilância de inteligência americana a usuários

Google e Facebook construíram ambientes seguros para monitorar rede; Twitter evitou colaborar

DENISE CHRISPIM MARIN - CORRESPONDENTE / WASHINGTON,

08 de junho de 2013 | 13h26

Das principais empresas de tecnologia do Vale do Silício, o Twitter foi a única que não facilitou o acesso do governo americano a seus servidores no programa secreto de monitoramento de e-mails, chats, downloads e buscas executado pela Agência de Segurança Nacional (NSA) em busca de suspeitos de terrorismo, segundo o The New York Times. Gigantes do ramo como o Google, Facebook, Yahoo, Microsoft, Apple, AOL e Paltalk ajudaram e até desenvolveram sistemas que agilizaram o processo de vigilância.

As companhias são obrigadas por uma lei – o Ato de Vigilância de Inteligência Estrangeira – a entregar dados para o governo. Mas não têm de, necessariamente, ajudar as agências de espionagem a encontrar o que procuram. Algumas delas, como o Google e o Facebook, construíram ambientes digitais seguros em seus servidores onde o governo pedia e recolhia os dados.

No começo do ano, o chefe do Estado-Maior dos EUA, Martin Dempsey, viajou ao Vale do Silício para se reunir com executivos dessas empresas. As nove companhias negam que tenham colaborado com o governo e, por meio de comunicado, informaram que apenas cumpriram ordens judiciais. O Twitter, por meio de um porta-voz, limitou-se a dizer que a filosofia da empresa consiste em apoiar o direito dos usuários.

Ciberataques. Em meio às revelações sobre os grampos telefônicos e vigilância na internet, os jornais Washington Post e Guardian publicaram que o presidente americano, Barack Obama, instruiu sua equipe de inteligência a desenvolver um esquema de guerra cibernética silencioso contra adversários dos interesses americanos pelo mundo. O decreto presidencial secreto também ordena que os ciberataques sejam executados dentro da lei.

Segundo o documento, o governo americano acredita que os ciberataques estão cada vez mais iminentes e uma guerra cibernética pode estar "atrás da porta". "A Operação Ofensiva de Ciberefeitos (OCEO) pode oferecer uma capacidade única para avançar em objetivos americanos sem alertar o adversário", diz o decreto.

O documento foi vazado durante a visita do presidente chinês, Xi Jiping, aos EUA, no qual especula-se que Obama tenha reclamado de ciberespionagem chinesa contra interesses comerciais americanos. Ontem, ambos falaram sobre o tema. "Eu notei o interesse da imprensa sobre a segurança cibernética. Isso pode dar às pessoas a percepção de que isso é uma ameaça que vem da China ou que seja o maior problema da nossa relação", alertou Xi.

Obama relativizou uma suposta tensão com Pequim sobre o tema. "Essas questões não são apenas da relação EUA-China. Essas são questões de preocupação internacional. Frequentemente, não são os Estados que estão envolvidos nisso", disse. / COM NYT e WP

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