Gilberto Carvalho critica impeachment de Lugo

Na véspera da abertura da reunião do Mercosul, o fórum social deu o tom de repúdio à deposição do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que vai tomar conta da Cumbre. O ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, falando para uma militância inflamada, predominantemente peronista, afirmou que "não se pode vilipendiar um processo eleitoral legítimo que elegeu um representante popular como é Lugo".

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

27 de junho de 2012 | 22h36

Para ele, o impeachment de Lugo foi "uma reação dos que têm medo da democracia popular" e que, por isso mesmo, "não podemos aceitar o que houve no Paraguai porque isso vai na contra mão de tudo que temos construído". Carvalho declarou ainda que todos esperam que "a cúpula do Mercosul faça uma manifestação forte e definitiva contra o que aconteceu com Lugo e nossos irmãos paraguaios".

O discurso mais longo e mais radical, no entanto, foi do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Hector Timerman, que avisou que "o povo paraguaio não está sozinho" e advertiu que, a reação do bloco foi para evitar que investidas contra a democracia, como houve no Paraguai, se repitam em outros países da região. "Nós estamos comprometidos com a cláusula democrática e vamos defender todos os instrumentos internacionais que assinamos porque se a gente se descuida, farão o mesmo na república do Uruguai, no Brasil e em todos os países da região porque não toleram que lhes governem", bradou.

Gilberto Carvalho, por sua vez, depois de ressaltar que o Mercosul, que acaba de completar 20 anos, já é uma grande conquista dos povos latino-americanos, assim como a Unasul, foi muito aplaudido ao salientar que estes organismos estão servindo para superar diferenças entre os países. "Estamos superando barreiras e divisões, aquilo que nos separava e que servia mais ao imperialismo norte-americano do que a nós", disse, sendo ovacionado e lembrando que o que está sendo feito "é uma integração não só de governos e de economias, mas uma integração cidadã".

Gilberto citou que os países da região estão alcançando desenvolvimento sustentável que permite o crescimento econômico e não o desenvolvimento que separa irmãos, com abismo entre ricos e pobres.

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