Gingrich vence na Carolina do Sul e embola prévias do Partido Republicano

O ex-presidente da Câmara dos Representantes Newt Gingrich venceu ontem as primárias republicanas do Estado da Carolina do Sul e embolou a disputa pela vaga de candidato do partido, que concorrerá contra o presidente Barack Obama nas eleições presidenciais de novembro.

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h00

A votação na Carolina do Sul terminou ontem às 19h (22h de Brasília). Antes mesmo de a apuração começar, no entanto, as principais redes de TV dos EUA, como CBS, CNN e ABC News e Fox News, já anunciavam a vitória de Gingrich com base em projeções demográficas e pesquisas de boca de urna.

Segundo estimativas, o ex-presidente da Câmara dos Representantes venceu com cerca de 38% dos votos. Em segundo ficou o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney, com uma votação prevista de 29%. Rick Santorum, ex-senador da Pensilvânia, com aproximadamente 17% dos votos, deve garantir a terceira posição. O deputado Ron Paul, de acordo com projeções, obteria 13% dos votos. A apuração oficial só seria concluída na madrugada de hoje.

Em três primárias realizadas, os republicanos tiveram um vencedor em cada. Em Iowa, com a retificação dos resultados, que ocorreu na quinta-feira, Santorum terminou na frente. Em New Hampshire, Romney venceu. Agora, na Carolina do Sul, deu Gingrich. A próxima disputa será na Flórida, no dia 21, onde Romney é favorito, de acordo com sondagens - ele lidera com cerca de 30 pontos porcentuais à frente dos rivais.

Crescimento. A vitória de Gingrich, no entanto, deu-lhe um novo fôlego e deve acirrar a disputa na Flórida. A arrancada na Carolina do Sul veio em razão do grande apoio que ele recebeu de nos últimos dias de setores conservadores do Partido Republicano - há uma semana, ele chegou a ficar cerca de 10 pontos porcentuais atrás de Romney.

A primeira ajuda veio de Sarah Palin, musa do movimento ultraconservador Tea Party e ex-candidata a vice-presidente dos EUA em 2008. Na quarta-feira, ela declarou que se votasse na Carolina do Sul, votaria em Gingrich. No dia seguinte, o governador do Texas, Rick Perry, que até então disputava a nomeação do partido, desistiu e anunciou que também apoiava Gingrich.

A constituição demográfica estadual o favoreceu. O reduto político de Gingrich é o Estado vizinho da Geórgia, que também faz parte do chamado "Sul Profundo" dos Estados Unidos. A Carolina do Sul é majoritariamente branca e conservadora. Romney, um moderado, teve dificuldades para se manter à frente, especialmente após os ataques de Gingrich.

Críticas a Romney. Em anúncios de TV, o ex-presidente da Câmara dos Representantes questionou a vocação conservadora de Romney e tentou associá-lo à imagem de destruidor de empregos nos EUA, além de qualificá-lo como um sonegador de impostos.

Para analistas, vencer na Carolina do Sul era fundamental para a continuidade da campanha de Gingrich e crucial para determinar o futuro da corrida republicana. O Estado escolheu o candidato presidencial republicano - em detrimento do democrata - em 11 das últimas 12 eleições para a Casa Branca.

Entre os problemas que Gingrich pode encontrar pelo caminho, daqui para frente, estão alguns escândalos sexuais que ele guarda no currículo. Quando era presidente da Câmara dos Representantes, de 1995 a 1999, comandou o processo de impeachment do presidente Bill Clinton. Mais tarde, descobriu-se que ele próprio vivia um caso extraconjugal. Ele acabou ficando com a amante e abandonando a mulher, que tinha câncer - hoje, ele está no terceiro casamento, com sua ex-secretária Callista, de quem foi também amante.

Para muitos analistas, Gingrich teria uma ficha corrida pesada demais para um candidato presidencial. O ex-presidente da Câmara dos Representantes, no entanto, é um excelente orador - saiu-se bem em quase todos os debates até agora - e parece que está a ponto de nocautear Santorum e se consolidar como o candidato dos conservadores, o único nome capaz de derrotar o moderado Romney.

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