Giro asiático de Obama tem China como tema

Presidente americano começa pelo Japão visita a aliados aflitos com pretensões territoriais de Pequim

AFP, EFE e Reuters, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h02

TÓQUIO - O presidente americano, Barack Obama, inicia nesta quarta uma viagem de oito dias pela Ásia. Ele visitará Japão, Coreia do Sul, Malásia e Filipinas. A China ficou fora do giro, mas fará parte das conversas de Obama, que tem a difícil tarefa de garantir o compromisso de defender Tóquio e outros aliados regionais sem ferir os laços vitais com Pequim.

Na capital japonesa, destino inicial da comitiva, Obama faz a primeira visita de Estado de um presidente dos EUA desde Bill Clinton, em 1996. No encontro com o primeiro-ministro, Shinzo Abe, ele discutirá o impasse da Parceria Trans-Pacífico (TPP, na sigla em inglês), acordo comercial fundamental da política externa americana para a Ásia.

"A mensagem fundamental que os dois líderes estão tentando passar é de união frente ao comportamento agressivo da China e eu acredito que essa mensagem deve ser bem clara", afirmou um ex-diplomata ocidental.

No Japão, o acordo é visto como um dos pontos-chave para a estratégia de Abe de retomada do crescimento. No entanto, restam dúvidas se o pacto bilateral sairá do papel em razão das intenções japonesas de manter tarifas em produtos considerados estratégicos. Uma nova rodada de discussão sem acordo entre Japão e EUA também poderia colocar em risco um pacto mais amplo com as outras 10 nações que comporiam o TPP.

Analistas mais otimistas dizem, porém, que não há razões para descartar um acordo. Abe e Obama jantam hoje e a imprensa japonesa diz que é grande a chance do representante comercial dos EUA, Michael Froman, e do ministro da Economia japonês, Akira Amari, participarem do encontro. "Seria uma demonstração importante para a China do fortalecimento das relações EUA-Japão", afirmou Kazuhito Yamashita, diretor do Canon Institute for Global Studies.

Os dois líderes devem conversar também sobre como lidar com as ameaças da Coreia do Norte. Na segunda-feira, a agência de notícias oficial de Pyongyang, citando um porta-voz do ministério das Relações Exteriores, afirmou que a viagem de Obama é "perigosa" e teria como objetivo "trazer nuvens de uma corrida armamentista nuclear para região".

Tensões. Outro ponto que evidenciou as dificuldades diplomáticas que Obama e sua equipe terão durante a passagem pela Ásia foi a visita, na madrugada de ontem, que cerca de 150 políticos japoneses fizeram ao Santuário Yasukuni, símbolo do passado militar japonês.

O ato foi repudiado pela China e pela Coreia do Sul, onde Obama se reúne, na sexta-feira, com a presidente Park Geun-hye, e aumentou a tensão na região. "O fato de Abe não ter participado dessa visita mostra que ele ouviu os apelos feitos pelos EUA em dezembro", afirmou o ex-diplomata ocidental - em dezembro, o premiê fez uma visita pessoal ao santuário e foi criticado tanto por países asiáticos quanto pelos EUA.

A disputa entre Japão e China por um conjunto de ilhas não habitadas chamadas de Senkaku por Tóquio e de Diaoyu por Pequim, é outro tema da pauta das reuniões entre Abe e Obama.

De acordo com a imprensa japonesa, é esperado um pronunciamento conjunto no qual os dois aliados devem reforçar a "não tolerância" de qualquer mudança por meio da força, declaração que implicitamente seria direcionada à China.

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