AP/Carolyn Kaster
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Giuliani diz que deveria ser considerado herói por revelar suposto escândalo envolvendo os Biden 

Advogado pessoal do presidente americano, Donald Trump, diz que 'tudo o que ele fez deveria ser elogiado'; segundo o jornal Washington Post, Giuliani se encontro com promotores e ex-promotores para formular teoria

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2019 | 11h44

Em entrevista à revista americana The Atlantic, Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York e advogado pessoal do presidente americano Donald Trump, afirmou que deveria ser visto como um herói por revelar um suposto esquema de corrupção envolvendo Joe Biden, seu filho Hunter e uma empresa ucraniana de energia.

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"É impossível que o denunciante anônimo (que apresentou a queixa contra Trump) seja um herói e eu não. Eu serei um herói. Esses idiotas - quando isso acabar, eu serei o herói", afirmou Giuliani à publicação.

"Eu não estou agindo como um advogado. Estou agindo como alguém que dedicou a maior parte da sua vida a colocar governos em ordem", continuou. "Tudo que eu fiz deve ser elogiado."

Giuliani disse que não tem intenção de diminuir sua campanha contra os Biden. "Se esse cara (que fez a queixa anônima) é um denunciante, então eu também sou denunciante", disse. "Você deveria estar feliz por seu país por eu ter descoberto essas coisas."

A atuação dele, no entanto, é uma parte fundamental da denúncia anônima contra Trump, já que são descritos esforços para solicitar a atuação ucraniana em favor do republicano na eleição de 2020.

Além disso, o acusador diz que funcionários da Casa Branca tentaram "bloquear" todos os registros da ligação de Trump com Zelenski, durante a qual Trump ofereceu a ajuda do secretário de Justiça, William Barr, e de Giuliani para investigar as relações do filho do ex-vice-presidente Joe Biden, Hunter, no país.

Ainda de acordo com a reportagem da revista, um funcionário sênior da Casa Branca afirmou que "todas as coisas" relacionadas ao escândalo da Ucrânia são (consequência) de "Rudy colocar merda na cabeça de Trump".

"São um bando de covardes. Eu não fiz nada errado. E o presidente sabe que eles são um bando de covardes", respondeu o advogado sobre as acusações contra sua atuação.

Em um tuíte na quinta-feira, Biden disse estar "claro" que "Donald Trump pressionou a Ucrânia a fabricar uma mancha contra um oponente político doméstico", chamando essa suposta atuação de "abuso de poder que viola o juramento de cargo e prejudica a democracia".

Origem das acusações

Giuliani passou meses atrás de procuradores e ex-procuradores ucranianos com objetivo de descobrir informações relevantes sobre adversários de Trump.

Em entrevista ao jornal The Washington Post, o advogado afirmou que, já como defensor pessoal do presidente, se reuniu com cinco procuradores ou ex-procuradores desde o ano passado. Ele disse que foi nesses encontros que obteve informações sobre Hunter Biden e o suposto conluio democrata em 2016.

Segundo Giuliani e um empresário com cidadania american e ucraniana que o ajudou, Lev Parnas, os encontros incluíram ligações por Skype com o ex-procurador-geral da Ucrânia Viktor Shokin, cuja demissão foi apoiada por Biden. Ele também se encontrou com o substituto de Shokin, Yuri Lutsenko, em Nova York, em janeiro, e em Varsóvia, na Polônia, em fevereiro.

Depois de cancelar a ida para a posse de Zelenski, ele viajou para Paris onde se reuniu com outro promotor: Nazar Kholodnytsky, chefe da agênbcia especializada em combate à corrupção na Ucrânia.

Giuliani e Parnas sugeriram que a iniciativa dos encontros partiu dos promotores. Lutsenko, no entanto, afirmou ao Post que Giuliani entrou em contato com ele por meio de outro promotor, que ele não quis revelar o nome.

Em entrevista em seu escritório em Kiev, sob forte segurança, Kholodnytsky afirmou que sua conversa com o advogado em Paris foi parecida com o encontro de dois promotores. 

""A conversa foi, principalmente, sobre corrupção na Ucrânia", disse Kholodnytsky. "Eu tive uma conversa pessoal. Eu disse a ele que algo não estava certo naquilo". Giuliani "não reagiu", disse o promotor. / COM WASHINGTON POST

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