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Giuliani é personagem-chave no caso contra Trump

Foi ao advogado pessoal de Trump que dois empresários da Flórida trouxeram as primeiras informações sobre a atuação do ex-vice-presidente Joe Biden na Ucrânia

Helio Gurovitz , O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2019 | 05h00

Rudolph Giuliani, ex-prefeito nova-iorquino e advogado de Donald Trump, é o personagem central no imbróglio que resultou no pedido de impeachment contra o presidente. Foi a Giuliani que dois empresários da Flórida, Lev Parnas e Igor Fruman, trouxeram as primeiras informações sobre a atuação do ex-vice-presidente Joe Biden na Ucrânia.

Demitido em 2016, o ex-procurador-geral ucraniano Viktor Shokin procurou Parnas e Fruman, no final de 2018, para acusar Biden, revelou em junho um relato do BuzzFeed em parceria com o projeto investigativo Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP). Shokin contou depois a Giuliani que investigava corrupção na Burisma, empresa de gás que pagava US$ 50 mil por mês ao filho de Biden. Afirmou que Biden ameaçara segurar US$ 1 bilhão em garantias de empréstimos caso Shokin ficasse no cargo.

Os dois empresários, diz o relato, promoveram ainda o encontro de Giuliani com o novo procurador-geral, Yury Lutsenko, que acusou diplomatas americanos na Ucrânia de tentar manipular as eleições de 2016 em favor de Hillary Clinton, vazando a versão fraudada de um livro-caixa que derrubou o chefe da campanha de Trump, Paul Manafort.

A partir daí, Giuliani armou com Parnas e Fruman uma operação de diplomacia paralela e contrainformação. No lugar da interferência russa em favor dos republicanos, concebeu a conspiração ucraniana em prol dos democratas. A ela atribuía a fraude contra Manafort e a denúncia de que russos é que haviam invadido os computadores da campanha de Hillary. O último obstáculo a transpor foi a eleição surpreendente de Volodimir Zelenski à presidência. Zelenski demitiu Lutsenko, peça-chave nas denúncias de Giuliani, e se mostrava reticente aos avanços de Trump. Até o telefonema fatídico de 25 de julho.

 

CONTAGEM

O sentido do impeachment nos Estados Unidos

A palavra “impeachment”, nos Estados Unidos, não tem o mesmo sentido que no Brasil. Aqui, é sinônimo de deposição do presidente. Lá, é o primeiro passo do processo, o indiciamento pela Câmara dos Deputados, em que os representantes decidem se aceitam as acusações, ou os “artigos de impeachment”. Basta que um só seja aprovado por maioria absoluta (218 dos 435 deputados) para que o presidente vá a julgamento no Senado. Para ser deposto, precisa ser condenado por dois terços dos senadores (67 dos 100). Por isso, os americanos dizem que Andrew Johnson (em 1868) e Bill Clinton (em 1998) sofreram impeachment, embora não tenham sido depostos, nem tenham saído do cargo durante o processo. Richard Nixon renunciou antes da votação de três artigos contra ele.

ARGENTINA

Por que Mauricio Macri fracassou na economia

O fracasso econômico de Mauricio Macri é explicado pelo descasamento entre a velocidade na queda da inflação e a necessidade de equilíbrio fiscal. Como aposentadorias e pensões, também responsáveis na Argentina pela maior fatia do gasto público, são indexadas pela inflação passada, uma queda brusca ampliaria o déficit. O governo preferiu conviver com mais inflação, aumentou as metas em dezembro de 2017 e perdeu credibilidade. Macri se viu obrigado a avançar nas reservas cambiais e a estender o pires ao FMI. “No final, a culpa reside nas políticas escolhidas”, escreve o ex-presidente do Banco Central Federico Sturzenegger. “Primeiro, a deterioração fiscal. Depois, a aposta no crescimento de curto prazo, mesmo à custa das instituições monetárias e da inflação.” A relevância do ajuste fiscal e a volatilidade intrínseca das reservas cambiais servem de alerta para o Brasil.

ORIENTE MÉDIO

Jimmy Carter escondeu teste nuclear israelense

Satélites de vigilância americanos emitiram alertas para uma explosão nuclear misteriosa em 22 de setembro de 1979. A suspeita inicial recaiu sobre a África do Sul, na região de onde vinham os sinais captados. Mas a tecnologia sul-africana não atingira o nível necessário à bomba atômica. Numa análise 40 anos depois, a Foreign Policy traz evidências de que, na verdade, foi um teste da bomba israelense. O então presidente Jimmy Carter, hoje simpatizante da causa palestina, ignorou os alertas e procurou esconder as provas da explosão.

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'Em muitos casos, o processo arregimentará animosidades, parcialidades, influência e interesse de um lado e de outro; e haverá o maior perigo de que a decisão seja determinada mais pela força comparativa dos partidos que pela demonstração real de culpa ou inocência'
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Alexander Hamilton,, sobre o impeachment, no 'Federalista 65', em março de 1788

 

38% 

dos senadores republicanos, ou 20 dos 53, precisariam condenar Donald Trump para ele perder o cargo, além dos 45 democratas e 2 independentes

 

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