Giuliani, o "prefeito da América", enfrentará pleito difícil

Prestes a lançar-se oficialmente à corrida pela indicação republicana para as eleições presidências de 2008, o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani é um daqueles candidatos fortes, mas que podem colocar tudo a perder por seu perfil pouco condizente com as aspirações mais conservadoras de parte do eleitorado do partido.Embora bastante popular nas pesquisas nacionais, Giuliani enfrentará obstáculos para assegurar a nomeação em todos os Estados. Isso porque ele sustenta posições moderadas em questões caras aos republicanos, como o controle de armas, aborto e direitos dos homossexuais. A avaliação é que isso poderá custar parte dos votos dos eleitores mais linha-dura do partido.Ao mesmo tempo, o ex-prefeito tem com um histórico de responsabilidade e liderança em tempos difíceis que, se lembrado pelos eleitores, poderá ser um trunfo tanto durante as primárias quanto em uma eventual corrida presidencial contra o candidato democrata.Giuliani estava em seus últimos meses como prefeito de Nova York quanto dois Boeings atingiram as torres gêmeas símbolo da cidade, em 11 de setembro de 2001. Poucas horas após o ataque, ele estava visitando o que restou do World Trade Center, untado em poeira e andando em meio ao caos - momentos repetidos à exaustão pelas televisões americanas. Além de render-lhe o apelido de "prefeito da América", sua atuação fez com que a revista Time o elegesse a "personalidade do ano de 2001".À frente da prefeitura nova-iorquina entre 1994 e 2002, ele também ficou famoso por implementar uma política de "tolerância zero" contra criminosos na cidade. O resultado foi uma redução de 57% nas taxas de criminalidade, transformando Nova York em uma cidade exemplo para os restos das metrópoles americanas e mundiais.Mas seu reconhecimento como liderança anticrime é mais antigo. Antes de tornar-se prefeito, Giuliani foi um proeminente promotor de justiça que esteve à frente de importantes campanhas contra o crime organizado e corrupção. Além disso, foi por dois anos o 3º homem no departamento de Justiça dos EUA.Por fim, seu vida pública também foi marcada por batalhas pessoais e escândalos. Durante as eleições para o Senado de 2000, o ex-prefeito enfrentou um câncer de próstata e um divórcio tornado público por tablóides. Uma vez que torne oficial sua pré-candidatura (o que considera uma questão de escolher a hora certa), ele deverá enfrentar os populares senadores John McCain e Mitt Romney. Embora mais "próximos" do perfil republicano, a disputa não será fácil para nenhum dos três.P

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