EFE/ Alessandro Di Meo
EFE/ Alessandro Di Meo

Giuseppe Conte é nomeado chefe de governo na Itália

O jurista foi uma indicação do Movimento 5 Estrelas (M5S) negociada com a Liga Norte para ocupar o cargo de primeiro-ministro do governo formado entre os dois grupos

O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 14h51

ROMA - O presidente italiano, Sergio Mattarella, nomeou Giuseppe Conte, um jurista cujo nome foi proposto pelos grupos antissistema e de extrema direita, a formar o próximo governo, dando fim a um impasse que começou em março. A informação foi anunciada pela presidência italiana. 

Conte foi uma indicação do Movimento 5 Estrelas (M5S) negociada com a Liga Norte para ocupar o cargo de primeiro-ministro do governo formado entre os dois grupos. Conte é professor de Direito, de 54 anos, e sem passado político.

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O jurista terá agora a incumbência de apresentar sua lista de ministros e, depois, submeter seu Executivo à confiança no Parlamento, algo que não será complicado, já que o M5S e a Liga têm maioria nas Câmaras.

Após mais de dois meses desde as eleições de março, a Itália sai da paralisia na qual estava imersa para ser governada por dois grupos políticos que já adiantaram que aprovarão um subsídio de € 780 para pessoas com dificuldades econômicas, um imposto único para empresas, famílias e autônomos, que variará entre 15% e 20%.

Os dois grupos também se propõem a reformar o sistema de previdência, fechar todos os acampamentos considerados irregulares onde vivem pessoas de etnia cigana, introduzir a legítima defesa para os cidadãos em seus domicílios e solicitar aos aliados europeus uma revisão da política monetária, do Pacto de Estabilidade, do Pacto Fiscal e do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Giuseppe Conte é professor de Direito Civil na Universidade de Florença, tem um grande escritório de advocacia e uma carreira acadêmica de prestígio, mas nenhuma experiência política. Aos 54 anos, nascido em Volturara Appula, cidade de 500 habitantes em Foggia, no sul da Itália, estudou em Roma e fez mestrado e doutorado nas universidade americanas de Yale e Nova York.

Os italianos o conheceram quando o M5S o apresentou em um programa de televisão, em 1º de março, antes das eleições legislativas, como membro da possível equipe de governo. Conte defendeu a ideia de abolir “leis inúteis” – cerca de 400 – para reforçar os regulamentos anticorrupção e promover a “meritocracia”. “Ele será um primeiro-ministro sem poder”, sustentou um editorial do jornal La Repubblica. “O M5S e a Liga não conseguiram chegar a um acordo sobre um político de peso para chefiar o governo, e foram forçados a nomear um tecnocrata”, lamentou o jornal. 

Na terça-feira, ele teve seu nome envolvido em polêmica após ser acusado pela imprensa italiana de mentir em seu currículo sobre seus estudos nos EUA. / AFP, REUTERS e EFE 

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