ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO
ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

PT e PCdoB participam da posse de Maduro na Venezuela

Presidente do PT e vice-presidente do PCdoB participam da cerimônia; partidos defendem legitimidade da disputa, que foi marcada por denúncias de fraude, e critica 'posição agressiva' do governo Bolsonaro contra o país vizinho

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2019 | 15h05

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, e o vice-presidente do PCdoB, Walter Sorrentino, participaram nesta quinta-feira, 10, da posse de Nicolas Maduro na Venezuela. Em notas distintas, os dois partidos reconheceram a legitimidade da eleição no país vizinho e fizeram críticas à política externa do presidente Jair Bolsonaro, que trata a Venezuela como ditadura.

(Estarei na posse) Porque reconhecemos o voto popular pelo qual Nicolás Maduro foi eleito, conforme regras constitucionais vigentes, enfrentando candidaturas legítimas da oposição democrática”, disse no texto divulgado no site do partido.

Por que participar da posse na Venezuela? https://t.co/DSkdb5tT5N — Gleisi Lula Hoffmann (@gleisi) January 10, 2019

O país enfrenta hoje sua maior crise política, humanitária e econômica, e desponta como um dos principais inimigos da política externa do novo governo brasileiro. Com mais de 67% dos votos válidos e 54% de abstenção, Maduro é empossado para um mandato de mais 6 anos.

No texto, Gleisi ressaltou que o partido não concorda com o que chamou de “política intervencionista e golpista incentivada pelos Estados Unidos, com adesão do atual governo brasileiro e outros governos reacionários”. “(Estarei na posse) Para mostrar que a posição agressiva do governo Bolsonaro contra a Venezuela tem forte oposição no Brasil e contraria nossa tradição diplomática”, afirmou.

Com uma política alinhada aos norte-americanos, o presidente Jair Bolsonaro é crítico ferrenho do governo de Nicolás Maduro, que assumiu em 2013, como sucessor de Hugo Chávez. O chanceler Ernesto Araújo publicou um artigo nesta semana, pela agência Bloomberg, em que defende ações mais duras contra “ditaduras como Venezuela e Cuba”.

Em nota, o vice-presidente do PCdoB disse que o Brasil passa por um momento de risco, com um governo "de perfil autoritário e regressivo" e com "uma politica externa obscurantista e de alinhamento subserviente pró-EUA". Sorrentino faz um apelo para que a comunidade internacional "respeite a soberania" do país vizinho.

A avaliação que o vice-presidente do PCdoB faz do resultado das urnas na Venezuela é que ela reflete "defesa das conquistas sociais alcançadas, dos caminhos para develar a crise econômica em função dos interesses do povo e de respeito à Constituição", mas também é um "voto contra o imperialismo, de rechaço a trumo, contra as oligarquias e contra os golpistas."

Para a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), "da mesma forma como a gente aceitou aqui a decisão do tribunal (superior eleitoral) de ter dado posse ao Bolsonaro, deve ser respeitada a eleição na Venezuela". Ela critica ainda o que chama de "ingerência constante" da comunidade internacional no País vizinho, mas defende que eventuais denúncias de fraude nas urnas sejam apuradas.

Dentre os partidos de oposição a Bolsonaro, apenas os dois se manifestaram a respeito da posse de Maduro. A deputada estadual eleita do PSOL Luciana Genro (RS) criticou Gleisi e o PT incisivamente em seu Twitter.

“Só uma esquerda mofada para apoiar o Maduro a estas alturas. Há muito tempo deixou de ser um governo progressista. E o pior é que a oposição forte é burguesa e elitista”, disse a candidata à Presidência derrotada em 2014. O PSOL disse que a opinião é de Luciana, não do partido, e não quis se manifestar.

Gleisi vai representar o PT na posse do Maduro. Dando uma mãozinha para aqueles que querem liquidar a esquerda. Mas só uma esquerda mofada p/apoiar o Maduro a estas alturas. Há muito tempo deixou de ser um governo progressista. E o pior é que a oposição forte é burguesa e elitista. — Luciana Genro (@lucianagenro) January 10, 2019

 

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