Ronald Zak/AP
Ronald Zak/AP

Golfo vê acordo nuclear com desconfiança

Em comunicado, países dizem esperar que pacto dissipe temores e preserve a segurança e a estabilidade na região

O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 19h04

RIAD - Os países do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico (CCG) manifestaram nesta quarta-feira, 15, sua esperança de que o acordo nuclear alcançado entre Irã e o grupo P5+1 dissipe os temores em relação ao regime iraniano e preserve a segurança e estabilidade na região. 

O secretário-geral do CCG, Abdel Latif al-Ziani, citado pela agência saudita SPA, disse que os ministros de Relações Exteriores do organismo receberam na noite de terça-feira um telefonema do secretário de Estado americano, John Kerry, que lhes explicou os detalhes do pacto alcançado em Viena.

Zayani assinalou que os chefes da diplomacia do CCG – integrado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Catar e Omã – transmitiram seu desejo de que o tratado evite uma corrida armamentista nuclear na região.

No entanto, na avaliação de analistas, o acordo provocou ceticismo entre esses países, de tendência sunita, que o consideraram preocupante e contrário aos interesses de suas monarquias. Segundo analistas, há uma preocupação diante de uma aparente reaproximação entre o Irã – histórico inimigo dos sunitas – e os EUA, habitual aliado da Arábia Saudita, a grande potência petrolífera. 

O escritor e analista Ahmed al-Bakri afirmou que os países do Golfo estão receosos de que o sinal verde ao projeto nuclear iraniano, mesmo que com restrições, e as intenções do Irã se reflitam “em um comportamento agressivo na região”.

O Irã é acusado pelos países do Golfo de promover os conflitos no Oriente Médio por meio de seu apoio a grupos como os houthis no Iêmen, os xiitas do Iraque, e o ditador Bashar Assad na Síria.

“É natural que esses países expressem temores de que o acordo possa ser interpretado como uma cumplicidade ocidental para desenvolver o projeto nuclear e promover o Irã como ‘um policial’ da região”, opinou Bakri.

Nesse sentido, embora a Arábia Saudita tenha emitido um comunicando expressando seu apoio ao acordo, um funcionário saudita afirmou, em condição de anonimato à agência SPA, que o reino prefere que as sanções impostas ao Irã sejam mantidas em razão de seu apoio ao terrorismo e à violação das convenções e dos tratados internacionais ao armar grupos rebeldes na região. 

Para acalmar os ânimos, o presidente dos EUA, Barack Obama, conversou com o rei saudita, Salman bin Abdulaziz, para reiterar a promessa que fez na conferência de Camp David, em maio, de que seu país apoiará o CCG diante de qualquer “agressão” externa e com o uso da força se necessário. Os membros do CCG e os EUA deverão manter uma nova reunião em breve. / EFE


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