"Golpe foi necessário", diz candidato a ministro na Tailândia

Surayud Chulanont, candidato ao cargo de primeiro-ministro interino da Tailândia, afirmou nesta quarta-feira que o golpe pelo qual o país passou foi necessário para terminar com as divergências locais que poderiam resultar em violência."O mais importante é construir uma unidade no país, afirmou Chulanont, respeitado general da reserva e membro do Conselho do rei Bhumibol Adulyadej´s.Questionado sobre sua continuidade como primeiro-ministro até as eleições, prometidas para 2007, ele afirmou: "Não posso dizer pois ainda não fui requisitado". Porém, antes Chulanont disse que iria considerar a proposta pois é "consciente da situação política no país".Thaweep Netniyom, general e porta-voz do conselho, afirmou que uma constituição temporária deve ser apresentada para a aprovação do rei "provavelmente na tarde de sábado", e o anúncio do nome do primeiro-ministro interino deve sair no domingo.Na terça-feira, o líder do golpe, comandante Sondhi Boonyaratkalin, sugeriu que Surayud pode continuar como primeiro-ministro, afirmando em uma conferência que "quando você diz ´primeiro-ministro civil´ pode ver que depois que os soldados se aposentam são chamados de civis".A afirmação é vista, pela comunidade internacional, como uma evidência de que os militares querem permanecer no comando interino do governo tailandês.Ji Ungpakorn, um ativista democrata, professor de ciência política na Universidade de Chulalongkorn, afirmou que um governo interino que não foi eleito pelo povo é inaceitável. "Não importa quem é o primeiro-ministro", afirmou. "Um governo militar não tem legitimidade", considerou.Comunidade internacionalMilitares tailandeses tentam convencer a comunidade internacional de que o golpe militar era a única maneira de manter a democracia no país.As tropas militares entraram em Bangcoc na semana passada e depuseram o Thaksin Shinawatra, primeiro-ministro tailandês, que venceu as últimas três eleições no país. Os Estados Unidos e outros governos afirmaram que o golpe vai contra a democracia.Condoleeza Rice, secretária de Estado americana, criticou o golpe, afirmando ao The Wall Street Journal, na terça-feira, que a Tailândia precisa "de um governo civil e de eleições que tragam de volta a democracia, o mais rápido possível".Críticas como as de Rice fizeram com que os militares se pronunciassem defendendo o golpe, afirmando que os governos estrangeiros não compreendiam a situação da Tailândia, onde a democracia e as insituições democráticas eram combatidas por Thaksin."Estamos desapontados com a reação deles", afirmou o general Thaweep Netniyom, porta-voz dos líderes golpistas. "Mas nós também entendemos a reação. São países que tem uma definição muito clara sobre a democracia".Esta matéria foi alterada às 13h03 para acréscimo de informações

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