Golpe militar depõe presidente da Mauritânia

Abdallahi havia vencido em 2007 as primeiras eleições livres do país

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

O Exército da Mauritânia, país da costa oeste da África, tomou ontem o poder e prendeu o presidente, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, e o primeiro-ministro, Yahya Ould Ahmed Waqef, depois que o governo anunciou a destituição do Estado-Maior do Exército. Segundo o presidente, o primeiro livremente eleito na história da Mauritânia, os generais destituídos apoiavam parlamentares que o acusavam de corrupção e de relação com radicais islâmicos.Horas após o golpe, a junta militar anunciou que realizará eleições presidenciais "livres e transparentes" o mais breve possível.A crise política começou no início do ano, quando Abdallahi dissolveu o governo em meio a protestos contra a alta do preço dos alimentos e combustíveis. Na segunda-feira, houve um indício de que um golpe estaria próximo quando 48 deputados abandonaram o partido governista, supostamente instigados por militares.Um conselho estatal - presidido por um dos militares destituídos, Mohamed Abdelaziz - informou que Abdallahi é agora "ex-presidente" e anulou o decreto que afastou os generais.Abdallahi venceu, no ano passado, as primeiras eleições livres da Mauritânia desde a independência da França, em 1960. Desde então, o país sofreu outros dez golpes. A comunidade internacional - que havia festejado a eleição de Abdallahi - condenou o golpe. A União Européia ameaçou cortar a ajuda de US$ 241 milhões se os militares não libertarem o presidente eleito. EUA, África do Sul, Nigéria e União Africana também condenaram a destituição de Abdallahi. Amal Mint Cheikh Abdallahi, filha do presidente deposto, disse que a guarda presidencial chegou à residência oficial pela manhã e levou seu pai. "Estamos presos em casa, proibidos de sair. Os telefones foram cortados e há guardas nos quartos, na cozinha e até nos banheiros", disse Amal. Na capital, Nuakchott, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar uma manifestação a favor do presidente e o aeroporto da cidade ficou horas fechado. Os militares também tiraram do ar rádios e TVs locais.

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