Golpe militar no Mali deixa 1 morto e 40 feridos

Pelo menos um soldado foi morto e cerca de 40 pessoas ficaram feridas, dentre elas civis, no Mali, quando soldados amotinados abriram caminho aos tiros até o palácio presidencial, informaram fontes militares e médicas nesta quinta-feira. Os soldados amotinados derrubaram o governo democraticamente eleito do Mali, suspenderam a Constituição e dissolveram as instituições do país africano. O destino do presidente Amadou Toumani Toure, de 63 anos, era desconhecido até o final da tarde desta quinta-feira.

AE, Agência Estado

22 de março de 2012 | 18h09

"Uma pessoa foi morta e outra ferida entre os rebeldes", disse uma fonte militar à agência France Presse. Já a Cruz Vermelha malinesa disse ter tratado de cerca de 40 pessoas, a maioria atingida por "balas perdidas". Dentre essas vítimas estão três ou quatro civis, afirmou a Cruz Vermelha.

Uma fonte militar, que não integra a junta mas tem contato com os militares rebeldes, disse que o número de mortos do lado do grupo leal ao presidente Amadou Toumani Toure é desconhecido.

Disparos esporádicos continuavam a ser ouvidos nesta quinta-feira em Bamako, capital do Mali. Também não há informações precisas sobre o controle que os militares rebeldes têm do poder, já que o grupo de amotinados parece ser formado principalmente por soldados rasos. Há informações que Toure, que deixaria o cargo em breve, após as eleições marcadas para abril, estaria sob a proteção de sua equipe de seguranças de elite, os "boinas vermelhas".

No final da tarde, as tropas amotinadas cercaram o prédio da televisão estatal em Bamako. Os soldados se autodenominaram como integrantes do Comitê Nacional para o Restabelecimento da Democracia (CNRDR, pela sigla em francês). O porta-voz dos militares rebelados, Amadou Konaré, disse que o objetivo dos rebelados é acabar com o estado de anarquia que teria tomado conta do país. Os amotinados postaram dois vídeos no YouTube na internet e leram os comunicados. "O objetivo do CNRDR não é confiscar o poder e nós juramos solenemente devolver o poder a um presidente democraticamente eleito, tão logo a unidade nacional e a integridade territorial sejam restabelecidas", disse o tenente Konaré em um comunicado.

A alusão à integridade territorial se deve ao fato de que os militares do Mali estão combatendo, no deserto do Saara, nômades tuaregues que se infiltraram na região após a queda do regime de Muamar Kadafi na Líbia, no final do ano passado. Milhares de malineses tiveram que deixar a região do Sahel, fugindo dos combates entre os soldados regulares e os tuaregues.

Os soldados não fizeram nenhuma alusão às eleições marcadas para 29 de abril. As reações ao golpe foram imediatas. A França suspendeu as relações diplomáticas com o Mali, enquanto em Washington o Departamento de Estado afirmou que discutirá a suspensão de um pacote de auxílio anual de US$ 137 milhões que o país africano recebe dos EUA.

A Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano, que representa os países da região, disse que o golpe no Mali é "repreensível".

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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