REUTERS/Blair Gable
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Golpe na Venezuela seria inquietante e anacrônico, diz embaixador brasileiro na OEA

Hipótese levantada pelo secretário de Estado americano, Rex Tillerson,foi recebida com preocupação na América Latina, segundo diplomata

Cláudia Trevisan, Correspondente/Washington, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2018 | 17h58

WASHINGTON - A hipótese levantada pelo secretário de Estado americano, Rex Tillerson, de um golpe militar para solucionar a crise na Venezuela é “inquietante” e “anacrônica” e foi recebida com preocupação na América Latina, disse o embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), José Luiz Machado e Costa.

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“Incentivar a sublevação militar no país não é uma resposta apropriada para quem conhece minimamente a região”, afirmou, fazendo referência ao passado “tumultuado” de intervenções fardadas nas Américas, muitas das quais incentivadas pelos EUA. “Declarações desse tipo não contribuem para a solução satisfatória e negociada da crise.”

Machado e Costa ressaltou que a atual geração de militares é comprometida com princípios e instituições democráticas. “É uma volta ao anos 80”, falou, ao comentar as declarações do chefe da diplomacia americana.

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Durante evento realizado há uma semana, Tillerson se referiu a um eventual golpe como uma das potenciais saídas para a turbulência no país de Nicolas Maduro. “Na história da Venezuela e de fato na história de outros países da América Latina e da América do Sul, frequentemente são os militares que lidam com isso”, declarou na Universidade de Austin antes de iniciar seu tour pela região.

“Quando as coisas estão tão ruins que a liderança militar percebe que não pode mais servir os cidadãos, eles conduzem uma transição pacífica.” Mas Tillerson ressaltou: “Se esse será o caso aqui ou não, eu não sei”.

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O embaixador brasileiro insistiu em que a solução para a crise na Venezuela deve ser democrática e negociada.

 

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