Golpes e rasteiras políticas marcam democracia paraguaia

Desde o fim da ditadura de Alfredo Stroessner, o Paraguai não consegue se livrar de sucessivas crises institucionais

ASSUNÇÃO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h02

Quando o general Andrés Rodríguez deu um golpe contra Alfredo Stroessner, em fevereiro de 1989, sepultou uma ditadura de 34 anos e prometeu dias melhores ao Paraguai. A democracia finalmente chegou, mas a política paraguaia continuou sendo a mesma confusão de sempre.

Rodríguez fez uma transição rápida: aboliu a pena de morte, suspendeu o estado de sítio e convocou eleições - que ele venceu. Seu mandato foi marcado por rumores de golpe, só afastados quando ele promulgou a nova Constituição, em 1992, que limitou o mandato presidencial a cinco anos sem reeleição.

No ano seguinte, Rodríguez entregou o cargo para Juan Carlos Wasmosy, primeiro presidente civil eleito democraticamente no Paraguai. A popularidade de Wasmosy entrou em queda livre após uma série de crises: a nomeação de aliados de Stroessner para cargos no governo, a inoperância econômica e o assédio do chefe das Forças Armadas, o general Lino Oviedo, acusado de tramar um golpe em 1996.

Assustados com a instabilidade no Paraguai, seus parceiros do Mercosul reuniram-se em Ushuaia, em 1998, para introduzir uma cláusula democrática para evitar quarteladas.

Oviedo virou civil e passou a assombrar o Paraguai. Oficializou sua candidatura e liderava a corrida presidencial de 1998 quando foi condenado a 10 anos de prisão pela tentativa de golpe. Ele fugiu, mas seu vice, Raúl Cubas, assumiu a chapa.

Cubas foi eleito com a promessa de liberdade para o ex-general fujão - o lema da campanha era "Cubas no governo, Oviedo no poder". Seu mandato foi marcado pela queda de braço com o Judiciário. Cubas concedeu perdão judicial a Oviedo, colocou o amigo em liberdade e se recusou a prendê-lo mesmo com ordem dos tribunais. Diante da desobediência, o Congresso votou seu impeachment por abuso de poder - ele escapou por dois votos.

Mas a fidelidade ao ex-general rachou o governo. Um dos líderes do bloco anti-Oviedo, o vice-presidente Luis María Argaña, foi assassinado em março de 1999. Oviedo e Cubas foram envolvidos no caso e protestos espalharam-se pelo país.

Sem apoio, o Congresso iniciou o impeachment do presidente, mas Cubas renunciou antes. Como o vice havia sido assassinado, a presidência foi parar nas mãos do senador Luis González Macchi, que sobreviveria milagrosamente a uma tentativa de golpe, em 2000, e a outro processo de impeachment, em 2001.

Macchi foi sucedido por Nicanor Duarte, que teve um governo tranquilo, mas uma transição conturbada. Ele apresentou sua renúncia meses antes do fim do mandato para assumir a vaga de senador conquistada nas urnas.

Como ex-presidente, Duarte teria o direito de ser senador vitalício, mas teria poderes restritos - ele teria direito a discursar, mas não a voto. Por isso, para ser o líder da oposição a Fernando Lugo, eleito em 2008, ele tentou a manobra política. A oposição, porém, não aceitou a renúncia e Duarte teve de cumprir o mandato até o fim.

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