Arte/estadao.com.br
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Golpistas mantêm presidente retido e agravam crise no Níger

Presidente deposto está detido em um instalação do Exército a aproximadamente a 140 quilômetros da capital

19 de fevereiro de 2010 | 17h00

Os militares responsáveis pelo golpe de Estado no Níger assumiram todos os poderes, suspenderam a Constituição, fecharam as fronteiras terrestres e aéreas e mantêm o presidente Mamadou Tandja retido, voltando a jogar incerteza sobre o futuro de um dos países mais instáveis da África.

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Os golpistas parecem ter uma espécie de plano com ações precisas. Após o assalto ao palácio presidencial, formaram um cinturão militar em torno do bairro onde Tandja mora.

"A operação foi minuciosamente preparada e levada a cabo para minimizar os riscos", disse à Agência Efe uma pessoa próxima aos golpistas, que indicou que a ação "pretender pôr fim a uma situação política tensa que se prolongou durante os últimos nove meses".

Funcionários da Presidência disseram que, após o assalto ao palácio, Tandja foi levado em um veículo militar com destino desconhecido. Já os ministros teriam sido conduzidos à sala de reunião do Conselho Superior da Comunicação.

Durante a manhã de hoje, um militar que pediu anonimato disse à Efe que o presidente deposto está detido em um instalação do Exército na região de Dosso, aproximadamente a 140 quilômetros da capital, enquanto os ministros estão em diferentes quartéis de Niamey.

Os líderes do levante, que afirmam ter constituído o Conselho Supremo para a Restauração da Democracia (CRSD), anunciaram a dissolução do Governo e pedem aos secretários-gerais dos ministérios que administrem os assuntos correntes.

"Foi pedido à população que se mantivesse calma e unida aos ideais que encorajam o CSRD e que farão do Níger um exemplo de democracia e de bom Governo", assinala um comunicado dos golpistas.

O grupo também se disse respeitoso aos tratados e convenções assinados pelo Estado do Níger e convocou a opinião pública nacional e internacional a manter "a ação patriótica para salvar o Níger e a sua população da pobreza, da mentira e da corrupção".

Durante as primeiras horas da tarde de hoje, membros do conselho mantiveram uma reunião com os secretários-gerais dos ministérios e anunciaram a rápida libertação dos ministros do gabinete.

Após constatar que a situação do país está "sob controle", prometeram o fim do Estado de sítio no final do dia e a reabertura das fronteiras terrestres e aéreas.

O porta-voz do CRSD, Goukoye Abdoulkarim, anunciou a criação de um "conselho consultivo" que trabalhará de forma colegiada para preservar o futuro do Níger.

Perante a velocidade dos acontecimentos, o partido do presidente adotou um tom conciliador e chamou os golpistas a utilizar a razão nos futuros passos.

Assim, o vice-presidente do Movimento Nacional para a Sociedade de Desenvolvimento (MNSD), Ali Sabo, pediu aos dirigentes do conselho militar que sejam "equitativos e justos" e que façam uma transição democrática.

 

Nas ruas de Niamey, o golpe de Estado foi recebido por muitos com um sentimento próximo ao alívio, tal foi a tensão política no país durante os últimos tempos.

 

"A intervenção militar foi a única via para se livrar de Tandja, que não queria abandonar o poder", declarou Hamidou Alzouma, morador de Niamey.

No poder desde 2000, Tandja conseguiu ser eleito para um segundo mandato, que expirou em 22 de dezembro.

 

Mas para não deixar o poder, Tandja tinha decidido desmantelar a Constituição do país, dissolvendo a assembleia, a Corte constitucional e organizando um plebiscito para adotar uma nova Carta que prolongasse seu mandato.

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