Golpistas prometem eleições na Mauritânia 'assim que possível'

Após prisão de presidente, país é governado por junta militar; Abdallahi foi o primeiro eleito em pleito livre

Reuters e Associated Press,

07 de agosto de 2008 | 07h42

Os generais que lideraram um golpe de Estado na Mauritânia na quarta-feira, prometeram nesta quinta, 7, que convocarão eleições presidenciais "livres e transparentes" no "menor tempo possível", desafiando os pedidos internacionais para que devolvam o poder ao primeiro presidente eleito do país. O Exército do país da costa oeste da África prendeu o presidente, Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, e o primeiro-ministro, Yahya Ould Ahmed Waqef, depois que o governo anunciou a destituição do Estado-Maior do Exército. Segundo o presidente, os generais destituídos apoiavam parlamentares que o acusavam de corrupção e de relação com radicais islâmicos.   A crise política começou no início do ano, quando Abdallahi dissolveu o governo em meio a protestos contra a alta do preço dos alimentos e combustíveis. Na segunda-feira, houve um indício de que um golpe estaria próximo quando 48 deputados abandonaram o partido governista, supostamente instigados pelo Exército. Este foi o primeiro golpe de Estado na África com sucesso desde que os mesmos militares destituíram o presidente anterior da república islâmica há 3 anos      Abdallahi venceu, no ano passado, as primeiras eleições livres da Mauritânia desde a independência da França, em 1960. Desde então, o país sofreu outros dez golpes. A comunidade internacional - que havia festejado a eleição de Abdallahi - condenou o golpe. A União Européia ameaçou cortar a ajuda de US$ 241 milhões se os militares não libertarem o presidente eleito. EUA, África do Sul, Nigéria e União Africana também condenaram a destituição de Abdallahi.   Os 11 homens fortes do atual "Conselho de Estado", criado durante o golpe promovido pelo chefe da guarda presidencial, Mohamed Ould Abdelaziz, confirmaram que colocaram "fim" ao regime de Abdallahi. A junta disse que trabalhará com políticos mauritanos - muitos dos quais apoiaram o golpe - e com grupos civis para organizar uma eleição presidencial que "renove o processo democrático sobre uma base sustentável".   Abdallahi venceu, no ano passado, as primeiras eleições livres da Mauritânia desde a independência da França, em 1960. Desde então, o país sofreu outros dez golpes.

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