AP Photo/Virginia Mayo
AP Photo/Virginia Mayo

Google endurece normas para publicidade política na Europa

Gigante de tecnologia informou que será obrigatório identificar quem pagou por um anúncio com teor político e disse que publicará relatório de transparência deste tipo de publicidade acessível a qualquer pessoa

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2018 | 17h07

LONDRES - O Google ajustou seus requisitos para veiculação de publicidade política na União Europeia como parte de sua campanha para limitar a desinformação, combater anúncios mal-intencionados e aumentar a transparência meses antes das eleições parlamentares no continente, marcadas para maio.

Em comunicado divulgado na quinta-feira, a gigante americana da tecnologia informou que toda publicidade política deverá informar quem a comprou. Além disso, a empresa melhorou seu processo de verificação de identidade para os compradores de espaço publicitário.

O Google também disse que publicará um relatório de transparência da publicidade eleitoral e uma biblioteca que qualquer pessoa poderá acessar para obter mais informações sobre os compradores de anúncios, da audiência a qual se dirigem e como o dinheiro foi gasto.

Essas novidades são uma ampliação do sistema introduzido neste ano para o Google e aplicado na eleição de meio de mandato nos EUA - o Facebook também criou um sistema similar que já está em vigor nos EUA, no Brasil e na Grã-Bretanha.

São também, em parte, uma resposta para a campanha de desinformação conduzida pela Rússia durante a disputa presidencial nos Estados Unidos em 2016, quando vários agentes no exterior puderam comprar anúncios políticos para influenciar os eleitores americanos.

Lie Junius, diretora de políticas públicas da UE e relações governamentais do Google, explicou que a intenção da empresa com esses ajustes é "ajudar os eleitores a entender melhor a propaganda política que eles veem".

"Nosso objetivo é fazer essas informações (sobre os anúncios e quem pagou por eles) acessíveis e tão úteis quanto possível para cidadãos, profissionais e pesquisadores", afirmou.

As principais redes sociais ampliaram suas iniciativas de transparência em relação aos anúncios políticos em 2018, em parte em razão das ameaças do Congresso americano de tornar obrigatório esse tipo de informação obrigatória.

Em relação à Europa, essa iniciativa do Google pode ter relação com o fato de a empresa estar sobre pressão dos órgãos regulatórios em razão de uma série de práticas consideradas ilegais.

O Google também informou que oferecerá treinamento de segurança para grupos considerados mais vulneráveis a ataques de phishing - em que são roubados dados pessoais e financeiros das vítimas. "Essas pessoas terão acesso ao Programa Avançado de Proteção do Google, nosso mais potente programa de segurança de contas", disse Lie.

A executiva também disse que a empresa disponibilizará para empresas de comunicação uma proteção extra contra diversos tipos de ataque online e com seu Google News Lab colaborará com grupos de mídia nos países-membros da UE na verificação de notícias difundidas na internet. / AP

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