Reprodução/Google Maps
Reprodução/Google Maps

Google inclui Crimeia como parte do território russo em seus mapas

Câmara dos deputados da Rússia havia dado um mês de prazo para a alteração do mapa; anexação da península por Moscou completa cinco anos no dia 16

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2019 | 22h11

MOSCOU -  O Google incluiu em seus mapas a Crimeia como parte de território da Rússia faltando poucos dias para o quinto aniversário da anexação da península ucraniana por Moscou. A mudança, no entanto, vale apenas para usuários que acessarem a plataforma a partir de conexões originadas em território russo.

"Ao escritório russo do Google foi dado um mês de prazo para corrigir o erro e vemos que hoje o trabalho foi concluído", disse nesta terça-feira, 12, à agência "Interfax" o chefe da Comissão de Segurança e Combate à Corrupção da Duma, a Câmara de Deputados da Rússia, Vasyl Piskariov.

Agora, se um usuário russo abrir o Google Maps a Crimeia aparecerá separada do restante da Ucrânia por uma linha contínua, ou seja, como parte do território da Rússia.

Para internautas em outros locais, como a Ucrânia, no entanto, a península segue separada do restante do país por uma linha tracejada, ou seja, como corresponde a territórios cuja soberania é disputada por dois países. Essa também é a visualização para quem acessar o Google Maps no Brasil, por exemplo.

O deputado russo, que tinha ameaçado a multinacional com fortes multas, destacou que "nos mapas do Google a Crimeia é identificada de maneira absolutamente correta". 

Piskariov ressaltou que toda companhia que opera em território russo deve respeitar, sem exceção, a legislação nacional, e adiantou que sua comissão se encarregará de que tanto a Crimeia como o Porto de Sebastopol figurem como território russo nos mapas de todos os motores de busca.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ressaltou que a forma como a Crimeia aparece nos mapas do Google para a Rússia "tem importância", já que se trata de "uma das regiões da Rússia".

A companhia americana reconheceu, segundo a "Interfax", que tinha cometido um erro e que no caso das versões "locais" do Google Maps, como na Rússia, se orienta pela "legislação local" na hora de "representar objetivamente os territórios disputados".

A companhia atendeu à exigência russa a poucos dias do aniversário da anexação russa da península, que será comemorado em 16 de março, cinco anos depois do referendo no qual os crimeanos disseram sim à reunificação com a Federação Russa.

Na época, a diretora do Google na Rússia, Marina Zhunich, foi convidada pelo presidente da Duma, Viacheslav Volodin, para esclarecer a disputa.

O embaixador da Ucrânia nos Estados Unidos, Valeri Chali, denunciou esta semana o fato de a Crimeia figurar como território russo, o que vai contra a postura oficial da Casa Branca de rejeição frontal da anexação russa.

Nos últimos meses, o Google teve vários percalços com as autoridades russas e o regulador russo dos meios de comunicação já multou a companhia por descumprir a legislação que obriga os motores de internet a eliminar links de páginas proibidas. / EFE

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