Google prepara-se para deixar a China

Jornal chinês diz que gigante americana planeja anunciar sua saída do país na Segunda-feira

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

O Google, maior site de buscas do mundo, poderá encerrar suas operações na China em 10 de abril, segundo reportagem veiculada ontem pelo jornal estatal China Business News. De acordo com a publicação, a empresa americana poderá fazer na segunda-feira um anúncio oficial de seus planos em relação ao país asiático.

Em 12 de janeiro, a companhia surpreendeu o governo de Pequim e o mundo com o anúncio de que poderia fechar o google.cn, seu site em chinês, caso não chegasse a um acordo com as autoridades locais para operar sem o crivo da censura.

Desde então, representantes do governo afirmaram em diversas ocasiões que empresas estrangeiras devem obedecer às leis do país e deixaram claro que não há possibilidade de acordo com o Google nesse ponto.

Apesar de ter condicionado sua permanência no país à suspensão da censura, o site apontou como razão para sua possível saída uma série de ataques de hackers que operam na China.

O comunicado, divulgado em janeiro, afirma que essas ações levaram ao roubo de propriedade intelectual do Google e atingiram pelo menos outras 20 companhias americanas.

A eventual saída da China de uma das maiores empresas do mundo representa um duro golpe para a imagem do país como destino preferencial de investimentos estrangeiros.

Essa posição começou a ser abalada em agosto, quando quatro executivos da mineradora australiana Rio Tinto foram presos sob a acusação de roubar segredos de Estado. Posteriormente, a denúncia foi modificada para corrupção e roubo de segredo de empresas, punidos com penas mais brandas.

O julgamento dos funcionários da Rio Tinto está marcado para a segunda-feira e será observado de perto por empresas estrangeiras que realizam negócios na China, onde o Judiciário não possui nenhuma independência em relação ao Partido Comunista.

O caso Google também aumentou as tensões entre a China e os Estados Unidos. Depois que a empresa anunciou que poderia deixar o país asiático, a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, fez um duro discurso em defesa da liberdade do fluxo de informações na internet, no qual criticou nominalmente a China.

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