Gorbachev afirma que já não há mais democracia nos EUA

O último presidente soviético, Mikhail Gorbachev, considerou neste sábado, na cidade croata de Primosten, onde comemora seu 75º aniversário, que já não há mais democracia nos EUA e que é inaceitável que esse país se ocupe de todos os problemas do mundo. "Os Estados Unidos devem se apoiar mais nas instituições internacionais e na opinião pública, e não só em seus aliados", declarou Gorbachev, segundo divulgou neste sábado a imprensa local. A festa, que acontece no Hotel Zora, em Primosten, no litoral do mar Adriático, e com a participação de cerca de 200 antigos políticos dos tempos de Gorbachev, começou com uma conferência por ocasião do 20º aniversário da "Perestroika". Através de um vídeo enviado à reunião, George Bush pai qualificou Gorbachev como "herói da transição" e homem "cujo desejo para mudar o mundo é glorioso", informou a agência "Hina". Gorbachev, por sua vez, advertiu que uma das maiores ameaças do mundo moderno são as armas nucleares: "em fins do século XX, 90% das armas nucleares estavam em posse da União Soviética e dos EUA, enquanto hoje mais de 30 países as possuem", disse. Com relação ao terrorismo, o ex-líder soviético declarou que o problema está, no fundo, na cada vez maior disparidade entre os ricos e os pobres, e no fato de que bilhões de pessoas passam fome. Quanto ao Afeganistão, Gorbachev assegurou que depois da retirada das forças soviéticas desse país, na década de 80, gostaria que esse país fosse neutro. O ex-presidente considerou que o atual líder russo, Vladimir Putin, é um democrata, mas que deseja realizar "a democracia à sua maneira" já que herdou um caos de seu antecessor, Boris Yeltsin.

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