Gostem ou não, nascimento mobilizou mídia mundial

Por três semanas, jornalistas de todo o mundo acamparam do lado de fora do St. Mary's Hospital, na zona oeste de Londres. Estações de TV e sites dos EUA a Austrália desencavavam artigos e galerias de fotos sobre cada possível aspecto do bebê real, de nome a gênero a linhagem.

CENÁRIO: Belinda Goldsmith / Reuters, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2013 | 02h11

Arianne Chernock, uma especialista na história da monarquia na Universidade de Boston, disse que os nascimentos sempre atraíram muita atenção. O nascimento do príncipe William, em 1982 - que levou uma semana até ter o nome anunciado -, foi uma das 10 maiores matérias de capa da revista People. "Desta vez a existência de operações como o Twitter ampliou essa tendência à curiosidade", disse ela.

A espera pelo nascimento, batizada de "Great Kate Wait" (Grande Espera de Kate), produziu resmas de histórias sobre cada aspecto do acontecimento real do ano. Jornais publicaram conselhos para Kate acelerar a chegada com molho de curry quente ou estimulação do mamilo.

Vários sites de jornais britânicos fizeram cobertura contínua ao vivo da porta principal da ala privada do hospital. Mas os fotógrafos perderam a chegada de Kate às 5 horas (horário local), pois o casal utilizou um carro sem identificação e uma porta lateral. "Estou acampado aqui, há 13 dias. Tenho coberto o turno da noite. Não havia nenhuma indicação do que estava ocorrendo", disse Ki Prince, um fotógrafo alemão freelance frustrado com a passagem discreta do casal.

O príncipe William preza bastante sua privacidade e a de sua mulher após a maneira como os paparazzi atormentaram sua mãe, a princesa Diana, que morreu num acidente de carro em Paris em 1997.

Sem nenhuma atualização iminente, um punhado de fãs da realeza enfeitados com as cores da bandeira britânica acampado fora do hospital dava alegremente entrevistas a equipes de TV da China à Austrália. "Estou orgulhoso de ser britânico e gostaria apenas de dizer 'Deus abençoe a família real e particularmente agora, Katherine'", disse John Loughrey, um ex-chef de 58 anos vestido com as cores britânicas.

Um repórter da Reuters que levou sua mulher para um check-up no hospital disse que as enfermeiras estavam se queixando de que a mídia havia ocupado todos os espaços de estacionamento reservados para deficientes e a lanchonete do hospital estava sempre lotada. A revista People publicou uma foto de um falso bebê com sósias do príncipe William, de Kate e da rainha Elizabeth passando o bebê entre eles.

Até o jornal britânico Guardian, de linha republicana, publicou uma série de artigos sobre o nascimento real, embora tenha dado aos leitores a opção de apertar o botão "republicano" no alto de seu site (na imagem abaixo, à direita) - o que levava o internauta para outra home page, onde o nascimento "não existia".

"Eu simplesmente tive que, depois de experimentar o botão 'republicano', expressar minha gratidão. Como vocês são maravilhosos. Espero que isso dure para sempre", postou um leitor do Guardian no site. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.