Governador de Cochabamba aceita referendo revogatório

O governador de Cochabamba aceitou nesta quarta-feira submeter-se a um referendo revogatório proposto pelo governo de Evo Morales como saída para a grave crise política que atinge o departamento (estado).O anúncio feito por Manfred Reyes Villa, um ex-militar de direita que concorreu várias vezes à Presidência, coincidiu com a decisão de La Paz de rejeitar a instalação de um "governo revolucionário" no departamento. A criação da administração paralela, anunciada na noite de terça-feira após uma assembléia que reuniu milhares de pessoas no centro de Cochabamba, visa fazer pressão para que Reyes renuncieA assembléia, convocada por seguidores de Evo, decidiu tentar a destituição de Reyes Villa pelo caminho legal, acusando-o de atentar contra a unidade nacional por pregar a autonomia de Cochabamba, mesmo com a rejeição dessa proposta num referendo, no ano passado. "Tomei a decisão de aceitar a convocação de um referendo revogatório pelo presidente da República. Não posso nem devo renunciar pressionado pela violência", disse o governador, que, segundo informações da imprensa, voltou a Cochabamba, depois de ter se refugiado no distrito de Santa Cruz. Reyes Villa já tinha aberto mão na terça-feira da realização de um novo referendo sobre a autonomia. Seis dos nove governadores de províncias da Bolívia pertencem à oposição e, junto com o comitê cívico de Santa Cruz, compõem a principal frente contra as reformas "antineoliberais" de Evo, que em seu primeiro ano de governo nacionalizou os recursos naturais de energia e lançou uma segunda reforma agrária. Outro opositor, o governador de La Paz, José Luis Paredes, também enfrentava pedidos de renúncia lançados por sindicatos da combativa cidade de El Alto, que ameaçavam iniciar medidas de pressão. Com o anúncio de Reyes Villa, a tranqüilidade parecia voltar a Cochabamba, que fica na região central do país. Proposta de consensoEvo havia anunciado na semana passada sua iniciativa, que obteve apoio imediato da oposição, de uma lei para submeter todas as autoridades eleitas, incluindo o presidente, à possibilidade de um referendo revogatório do mandato. A lei servirá para evitar novos conflitos como o de Cochabamba, onde simpatizantes e adversários do governador entraram em choques violentos na semana passada, deixando dois mortos e mais de 200 feridos, disse a repórteres o vice-presidente Alvaro García Linera. "Não vamos romper com a institucionalidade, gostemos ou não gostemos, respeitaremos as autoridades constituídas mediante o voto democrático", afirmou García, chamando o "governo revolucionário" que alguns sindicatos queriam instalar em Cochabamba de ilegal. Embora tenham sido formalmente indicados por Evo, os nove governadores atuais das províncias são os primeiros eleitos por voto direto na Bolívia, graças ao mesmo pacto político que possibilitou a eleição presidencial de 2005, vencida pelo líder cocaleiro.

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